Polícia Federal realiza operação-padrão no aeroporto de Porto Alegre 

Agentes da Polícia Federal em manifestação por reposições salariais realizam uma operação-padrão na manhã desta quinta-feira no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. O protesto já causou dois cancelamentos de voos e cinco atrasos, segundo a Infraero.

De acordo com o sindicato da categoria no Rio Grande do Sul, 14 homens realizam a fiscalização dos passageiros, sete em cada embarque. Em dias normais, esse número é de dois agentes. Uma operação padrão consiste justamente em seguir rigorosamente as normas da atividade, o que pode retardar ou restringir o funcionamento.

"Se nós fôssemos trabalhar como o regulamento manda, iríamos parar os aeroportos", protesta o presidente do sindicato, Luiz Carlos Barbosa. A operação seguirá pelo menos até as 17h, ainda não está definido se a manifestação seguirá durante os voos noturnos. A operação padrão já resultou na apreensão de uma quantidade de munição não divulgada.

A decisão pelo protesto foi tomada em função da falta de uma proposta do governo federal na reunião com o Ministério do Planejamento. A categoria reivindica melhores condições de trabalho, mais efetivo e remuneração condizente com a complexidade e o risco de suas funções.

Os serviços ao público continuam suspensos, como o atendimento a estrangeiros e emissão de passaportes, sendo atendidos somente casos emergenciais. A categoria mantém apenas os plantões, as ocorrências em flagrante e custódia de presos.

O movimento grevista

Iniciados em julho, os protestos e as paralisações de servidores de órgãos públicos federais aumentaram no mês de agosto. Pelo menos 25 categorias estão em greve, tendo o aumento salarial como uma das principais reinvindicações. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), o movimento atinge 28 órgãos, com 370 mil servidores sem trabalhar. O número, no entanto, é contestado pelo governo.

Estão em greve servidores da Polícia Federal, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Arquivo Nacional, da Receita Federal, dos ministérios da Saúde, do Planejamento, do Meio Ambiente e da Justiça, entre outros. O Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) informou que dez agências reguladoras aderiram ao movimento.

O Ministério do Planejamento declarou que está analisando qual o "espaço orçamentário" para negociar com as categorias. O governo tem até o dia 31 de agosto para enviar o projeto de lei orçamentária ao Congresso Nacional. O texto deve conter a previsão de gastos para 2013.

No dia 25 de julho, a presidente Dilma Rousseff assinou decreto para permitir a continuidade dos serviços em áreas consideradas delicadas. O texto prevê que ministros que comandam setores em greve possam diminuir a burocracia para dar agilidade a alguns processos, além de fechar parcerias com Estados e municípios para substituir os funcionários parados.