"Há ministros que querem aplausos", diz Roberto Jefferson

O ex-deputado Roberto Jefferson usou o seu blog para manifestar a sua opinião a respeito do julgamento do mensalão. Nesta quinta-feira, o presidente nacional do PTB analisou a postura dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). "Há ministros que querem aplausos, há outros tantos que realmente merecem ser aplaudidos", publicou.

Para Jefferson, quem observar a postura e a face dos ministros durante o julgamento, enquanto eles próprios ou os colegas votam, pode ver 'muita coisa'. "De fato, a imagem nesse julgamento, especialmente quando da fase de votos dos ministros, diz muita coisa e, às vezes, causa espécie", garantiu.

O ex-deputado também escreveu a respeito do comportamento do ministro Joaquim Barbosa na sessão de ontem. "E o relator deu o tom do que será o resto do julgamento, com manifestações durante os votos dos demais e agitando o coreto. Serão semanas longas e, a se basear por ontem, não serão apenas mais duas semanas", considerou.

Na opinião do delator do mensalão, Barbosa demonstrou insatisfação visível por ter sido vencido no pedido de representação na Ordem dos Advogados do Brasil contra os advogados que pediram a sua suspeição para julgar a ação penal 470. 

"Chegou ao ponto de chamar aquele advogado supostamente ofensor de representante de uma guilda. Mostrou todo esse "respeito" pela defesa e pelos advogados mesmo depois de ouvir a imensa maioria de seus colegas de Corte lhe explicarem a importância do advogado e da defesa livre, independente e sem medo. O extemporâneo comentário do relator foi, certamente, um dos momentos mais tristes desse julgamento histórico", escreveu, tratando também a atitude de Barbosa como um "rompante".

De acordo com Jefferson, os votos, especialmente do revisor Ricardo Lewandowski e do decano Celso de Mello, foram uma bela lição no ministro relator. O presidente do PTB também elogiou a manifestação da Corte a respeito dos votos sobre a anulação do processo do réu Carlos Alberto Quaglia. "Novamente, belos votos sobre a necessidade de respeitar a defesa como único meio de alcançar a justiça ocuparam a Corte. É uma pena que muita gente na imprensa, além do próprio relator do processo, não tenha de fato escutado o que ali foi dito. Afinal, eles têm muito a aprender", completou.