Presidente da OAB-RJ defenderá caso de desaparecido político em Comissão

O presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Rio de Janeiro (Caarj) da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Estado, Felipe Santa Cruz, assistirá, às 9h30 da próxima sexta-feira (17), ao julgamento do processo de seu pai, Fernando Santa Cruz, diante da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. O julgamento ocorrerá durante a 61ª Caravana da Anistia na sede da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio sob a condução do presidente da Comissão, Paulo Abraão. O presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, fará a sustentação oral no processo em nome da família Santa Cruz.

Na expectativa do presidente da Caarj, esse será um momento histórico para a sociedade civil do Rio de Janeiro e um dia importante na reparação dos danos causados pelo arbítrio a várias famílias fluminenses. "Para mim será um dia especialmente emocionante porque, além do julgamento do processo de meu pai, sou cria da PUC. Fiz Direito nessa Universidade, presidi seu centro acadêmico e todos sabemos que a PUC foi um lugar emblemático na resistência contra o regime militar", afirmou Felipe Santa Cruz. No final da década de 70, a PUC acolheu vários professores perseguidos e era considerado território livre para as reuniões dos estudantes.

Fernando Santa Cruz desapareceu em fevereiro de 1974 quando Felipe Santa Cruz tinha dois anos de idade. Pernambucano, estudante de Direito e militante da Ação Popular (AP), Fernando foi preso pelos órgãos de repressão no Rio de Janeiro e até hoje é considerado um desaparecido político. Sabe-se que foi morto pela repressão, mas seu corpo nunca foi encontrado. Seu nome foi dado ao Centro Acadêmico de Direito da Faculdade Católica de Pernambuco.

Mais recentemente, o ex-delegado da Polícia Civil do Espírito Santo, Claudio Guerra, revelou em seu livro, Memórias de uma guerra suja, que o corpo de Fernando Santa Cruz teria sido um dos incinerados por ele em uma usina de açúcar na cidade fluminense de Campos, no ano de 1973.