CPI convida deputado do PSDB acusado de ter relação com Cachoeira 

A Comissão Parlamentar Inquérito (CPI) mista do Cachoeira aprovou, nesta terça-feira, um convite ao deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) para que ele preste depoimento aos parlamentares membros do colegiado. O parlamentar pode recusar o convite se quiser, mas já manifestou desejo de comparecer a uma reunião da CPI para explicar sua relação com o bicheiro.

Em julho, a Corregedoria da Câmara aprovou um parecer que recomenda a cassação de Leréia. Segundo escutas das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, o parlamentar era próximo de Carlinhos Cachoeira e chegou a receber a senha do cartão de crédito do bicheiro.

Outro deputado acusado de envolvimento com Cachoeira, Sandes Junior (PP-GO), escapou da convocação. Em vez disso, os membros optaram por enviar um pedido de informações ao deputado. Os parlamentares consideraram que os elementos que ligam Sandes Junior a Cachoeira não são suficientes. Em duas conversas telefônicas, o parlamentar pediu patrocínio ao bicheiro para o time de futebol do filho e ajuda para o pagamento de uma pesquisa eleitoral - fatos que não se confirmaram.

Datas dos depoimentos

O presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), afirmou que vai determinar as datas dos demais depoimentos até o final da tarde de hoje. O ex-diretor da empreiteira Delta, principal acusada de alimentar o esquema de cachoeira, Fernando Cavendish, deverá depor em 28 de agosto. "Não tenho grandes expectativas para o depoimento de Cavendish", confessou Vital do Rêgo.

Na reunião desta terça da CPI, foram aprovados mais de 100 requerimentos, convocando pelo menos 10 suspeitos de envolvimento com o escândalo, inclusive o próprio Cachoeira - que ficou calado na primeira convocação graças a um habeas-corpus. Segundo Vital do Rêgo, a convocação do bicheiro é apenas para dar segurança à CPI.

"Deixamos a convocação de Cachoeira apenas como ato legal, não tem movimento de reconvocação. É apenas um resguardo legal para eventualmente assim procedermos, não tem nem data. Não há agora nenhum movimento para isso, mas tem decisão de que, em havendo necessidade, em sendo oportuno pra CPI, vamos fazê-lo", disse o senador.