Supremo inicia oitava sessão do julgamento do mensalão 

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou às 14h26 a oitava sessão do julgamento do mensalão, iniciado no dia 2 de agosto. Dando seguimento à fase em que advogados de defesa têm uma hora para expor argumentos a favor de seus clientes. A fala mais esperada de hoje é a do advogado do delator do suposto esquema, o ex-deputado federal e atual presidente do PTB, Roberto Jefferson. Luiz Francisco Corrêa Barbosa prometeu acusar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser o mandante de tudo. Devem falar hoje ainda os advogados dos réus Bispo Rodrigues (ex-deputado do PL) Emerson Palmieri (PTB), Romeu Queiroz (PTB) e José Borba (PMDB).

Até hoje, já foram ouvidas as defesas de 26 réus no processo. Para hoje, a primeira fala prevista é a do defensor do Bispo Rodrigues. Então presidente do PL no Estado do Rio de Janeiro e segundo vice-presidente nacional, ele é acusado de receber R$ 150 mil do mensalão. De acordo com o Ministério Público, o parlamentar utilizou o motorista Célio Marcos Siqueira como intermediário para sacar, no Banco Rural em Brasília, os recursos do "valerioduto".

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O advogado Itapuã Prestes de Messias será o terceiro a ocupar o púlpito do STF, logo após a defesa de Roberto Jefferson. Messias é o advogado do ex-secretário do PTB Emerson Palmieri, acusado de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. No mês passado, Palmieri disse ao Terra que foi apenas "uma testemunha" das negociações entre PT e PTB para as eleições municipais de 2004.

A defesa do ex-deputado federal Romeu Queiroz (PSD) será a quarta a falar. Queiroz é acusado de intermediar a transferência de dinheiro ilícito entre a agência SMP&B, de Marcos Valério, e o PTB, seu partido na época. Os advogados afirmam que ele agiu "na condição de 2º Secretário da Executiva Nacional e Presidente Estadual em Minas Gerais da sigla PTB, e não no exercício de atividade parlamentar". De acordo com as alegações finais da defesa, o dinheiro sacado pelo assessor do ex-deputado foi entregue ao PTB nacional e teve "origem e destino inquestionáveis". No STF, a sustentação oral ficará a cargo do advogado Castellar Modesto Guimarães Filho.

O advogado Inocêncio Mártires Coelho, que defende o ex-deputado e ex-líder da bancada do PMDB na Câmara José Rodrigues Borba, será o último a falar na sessão de hoje. Atual prefeito de Jandaia do Sul, cidade de 20 mil habitantes no norte do Paraná, Borba foi denunciado pelo MP por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O publicitário Marcos Valério, personagem central do caso, disse que o então parlamentar recebeu R$ 2,1 milhões no esquema de lavagem de dinheiro pelas mãos de Simone Vasconcelos, diretora-administrativa da empresa SMP&B. De acordo com as denúncias, o próprio José Borba teria comparecido à agência do Banco Rural, em Brasília, para receber parte da propina.

O mensalão do PT

Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.