Roberto Jefferson: delegado aponta o dedo à PGR em busca de culpados 

No dia de sua defesa oral no julgamento do mensalão, o ex-deputado Roberto Jefferson usou o seu blog para fazer considerações sobre o processo do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do PTB comentou sobre uma reportagem da Folha de S. Paulo desta segunda-feira, onde diz que o delegado da Polícia Federal Luís Flávio Zampronha, responsável pela investigação do caso do mensalão de 2005 a 2011, "aponta o dedo" para a Procuradoria-Geral da República (PGR). "Mais especificamente sobre os exageros e erros, acusados a mais e acusações a menos, da denúncia da Procuradoria. Depois de uma semana de defesa o delegado pode estar com a impressão de que o julgamento subiu no telhado (o que é só impressão, por ora) e já começa a apontar outros culpados", escreveu Jefferson.

O ex-deputado também citou que "o delegado deve saber que a lei de lavagem, por ser perigosamente ampla e pouco definida em seus termos faz ser mais fácil as acusações com poucas provas, enquanto que a acusação de corrupção, sem a prova de um ato de ofício, coloca o STF em uma, das muitas, saias justas deste julgamento. Esperto, passa o possível fiasco para o colega de acusação sem abrir mão dos louros de eventual condenação".

Em seus posts, Jefferson também comentou as declarações da corregedora-geral Eliana Calmon ao jornal O Estado de S. Paulo, onde falou desconhecer o processo do mensalão, mas ao mesmo tempo não tem problemas em dizer que o escândalo "soa como corrupção". "Eliana deve saber de sons, porque via de regra suas manifestações sempre têm e sempre causam muito barulho. Infelizmente, a entrevista de hoje não é o que se espera ouvir de um juiz", criticou, afirmando que em breve a corregedora voltará a ocupar sua cadeira no STF.

A indicação dos próximos integrantes da Corte Suprema pela presidente Dilma Rousseff também foi abordada pelo presidente do PTB. Segundo ele, com as aposentadorias dos ministros Cezar Peluso, Ayres Britto e Celso de Mello, até o ano que vem Dilma terá a possibilidade de indicar três nomes que se somarão aos dois já indicados por ela (Luiz Fux e Rosa Weber). "É quase metade dos ministros que ocupam o tribunal. E ela já está à procura", afirmou Jefferson.

Na opinião do ex-deputado, a presidente pode mudar o perfil do STF e acredita que as indicações seriam na mesma linha de Rosa Weber, que tem se mostrado discreta: nunca concedeu entrevistas depois de assumir a cadeira no tribunal e ainda não entrou em conflito com os demais integrantes. A indicação seria, inclusive, em outro clima, já que o julgamento já teria terminado até lá.