Defesa: Bispo Rodrigues nunca negou ter recebido dinheiro 

O advogado Bruno Alvares Pereira de Mascarenhas Braga disse ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira que Carlos Alberto Rodrigues Pinto nunca negou ter recebido o dinheiro apontado no processo do mensalão. Mas garantiu que o montante não veio do valerioduto, mas sim do PT, com destinação diferente da imaginada pela acusação. "Era para pagamento de dívidas de campanha das eleições presidenciais de 2002", disse, reforçando antes que seu cliente não é mais conhecido como Bispo Rodrigues, pois já não exerce mais nenhum tipo de atividade religiosa.

Carlos Alberto Rodrigues Pinto, conhecido como Bispo Rodrigues. Então presidente do PL no Estado do Rio de Janeiro e segundo vice-presidente nacional, ele é acusado de receber R$ 150 mil do mensalão. De acordo com o MP, o parlamentar utilizou o motorista Célio Marcos Siqueira como intermediário para sacar, no Banco Rural em Brasília, os recursos do "valerioduto".

Ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Rodrigues renunciou, em 2005, ao mandato que tinha como deputado federal para evitar um processo de cassação. Em 2006, passou 32 dias preso em Brasília e em Cuiabá (MT) suspeito de envolvimento com a máfia dos sanguessugas, quadrilha que desviava dinheiro destinado à compra de ambulâncias.

O mensalão do PT

Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.