PR: policiais federais decidem suspender greve no Estado 

Policiais federais que atuam no Paraná decidiram, em assembleia realizada nesta quinta-feira, suspender temporariamente a greve da categoria. Os agentes devem retomar as atividades a partir de amanhã. A assessoria de imprensa da Polícia Federal no Estado confirmou que as pessoas que têm horário agendado no setor de passaportes podem comparecer normalmente na superintendência, no bairro Santa Cândida.

Os agentes decidiram esperar uma proposta do governo federal, mas a categoria permanece mobilizada. Uma nova assembleia está marcada para o próximo dia 16. Os policiais estavam paralisados desde a última terça-feira, reivindicando reajuste salarial e aumento do efetivo. Como parte do movimento, a categoria realizou na manhã de hoje uma operação-padrão no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Todas as bagagens despachadas passaram por vistoria de 20 policiais federais, que tiveram o auxílio de cães farejadores.

A decisão acabou causando lentidão nas operações do terminal, que chegou a registrar quase 70% de atraso nos voos programados. O último balanço divulgado pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) indicou atraso em 44,3% dos 97 voos programados entre 0h e 19h desta quinta-feira, com 14 voos cancelados. De acordo com Fernando Augusto Vicentine, presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Estado do Paraná (Sinpef-PR), a categoria decidiu suspender a operação-padrão no final da manhã em virtude dos transtornos causados aos passageiros.

Ele destacou que a fiscalização mais rigorosa deveria ser rotina, mas que não acontece com frequência por causa da pequena quantidade de efetivo. Durante a operação-padrão, policiais federais prenderam em flagrante um passageiro que iria viajar com seis mil comprimidos de ecstasy. Também foi realizada uma operação nos mesmos moldes na cidade de Foz do Iguaçu, na região oeste do Paraná, na fronteira com o Paraguai e com a Argentina.

O movimento grevista

Iniciados em julho, os protestos e as paralisações de servidores de órgãos públicos federais aumentaram no mês de agosto. Pelo menos 25 categorias estão em greve, tendo o aumento salarial como uma das principais reinvindicações. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), o movimento atinge 28 órgãos, com 370 mil servidores sem trabalhar. O número, no entanto, é contestado pelo governo.

Estão em greve servidores da Polícia Federal, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Arquivo Nacional, da Receita Federal, dos ministérios da Saúde, do Planejamento, do Meio Ambiente e da Justiça, entre outros. O Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) informou que dez agências reguladoras aderiram ao movimento.

O Ministério do Planejamento declarou que está analisando qual o "espaço orçamentário" para negociar com as categorias. O governo tem até o dia 31 de agosto para enviar o projeto de lei orçamentária ao Congresso Nacional. O texto deve conter a previsão de gastos para 2013.

No dia 25 de julho, a presidente Dilma Rousseff assinou decreto para permitir a continuidade dos serviços em áreas consideradas delicadas. O texto prevê que ministros que comandam setores em greve possam diminuir a burocracia para dar agilidade a alguns processos, além de fechar parcerias com Estados e municípios para substituir os funcionários parados.