Greve da PF provoca manifestações e lentidão em aeroportos 

A greve dos policiais federais atinge nesta quinta-feira um dos aeroportos mais movimentados do Brasil. Servidores que atuam no Aeroporto Internacional de Guarulhos pretendem, a partir das 16h30, iniciar uma operação-padrão nos terminais de embarque e desembarque. A ação faz parte das atividades pelo movimento grevista convocado pela Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) em todo o Brasil. Em todo o estado, cidades como Sorocaba, Ribeirão Preto e Campinas também registraram manifestações. A greve nacional dos servidores da Polícia Federal começou na última terça-feira.

A paralisação PF aumenta o quadro de servidores públicos em greve em todo o país. Segundo o secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Josemilton Costa, o movimento atinge 28 órgãos, com 370 mil servidores públicos parados.

Rio Grande do Sul

Na manhã desta quinta-feira, servidores públicos em greve faziam um ato de protesto pelas ruas de Porto Alegre. Os manifestantes, que seguiam em direção ao prédio da Receita Federal no centro da capital gaúcha, bloquearam a avenida Padre Cacique, que faz ligação entre a região sul e o centro de Porto Alegre.

Ainda no Rio Grande do Sul, grevistas da PF fazem vigília em frente à Superintendência Regional da Polícia Federal, em Porto Alegre. No interior do Estado, os manifestantes se reúnem nas 13 delegacias. Segundo o sindicato regional, os policiais devem fazer a operação-padrão no Salgado Filho entre 12h e 15h. No final da tarde, os servidores devem reavaliar a situação da greve.

Rio de Janeiro

Policiais do Rio de Janeiro devem fazer desta quinta-feira o último dia de greve no Estado. Está prevista uma reunião para avaliar os dois primeiros dias do movimento. Lá, os policiais decidiriam a necessidade de uma passeata, pela Avenida Branco, no sentido Presidente Vargas.

Para o período da tarde, por volta das 16h30, o sindicato programou mais uma operação-padrão no Aeroporto Internacional Tom Jobim, onde os policiais federais de plantão - em média cinco por terminal - farão novamente exame minucioso dos documentos e inspeção pessoal dos passageiros no setor de raio-X do embarque, o que pode causar atrasos e filas, já que há mais voos internacionais programados do que nesta quarta.

Goiás

Como parte do calendário de manifestações da greve dos policiais federais, a categoria em Goiás agendou para esta quinta uma passeata, com saída da Praça Universitária rumo ao centro da capital, com destino à Praça Cívica. Os manifestantes pretendem fazer o enterro simbólico da Presidente da república Dilma Rousseff e da Segurança Pública do Brasil.

A passeata acontece em conjunto com o Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Goiás (SINPRF-GO), o Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás (Sinpol-GO), o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (SINTSEP-GO), o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior do Estado de Goiás (SINT-IFESgo) e o Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg).

Paraná

Em Curitiba, como na maioria dos Estados, a PF está emitindo passaportes apenas em casos de emergência. Segundo estimativa dos grevistas, por dia, cerca de 500 passaportes deixarão de ser emitidos.

Na fronteira, em Foz do Iguaçu, e no aeroporto Afonso Pena, a operação dos policiais federais em greve continua padrão. O trabalho causa lentidão por causa das vistorias minuciosas.

De acordo com o sindicato, a adesão à greve está próxima de 100% no Paraná, mas a categoria tem mantido o percentual mínimo de 30% dos servidores em atividades essenciais, como a guarda de presos e os plantões nas delegacias. "Investigações importantes sobre crimes como tráfico de drogas e armas, pedofilia, contrabando, corrupção e tráfico de pessoas estão paradas", disse o presidente Sindicato dos Policiais Federais no Estado do Paraná (Sinpef-PR), Fernando Augusto Vicentine. "Nem as escutas telefônicas estão sendo monitoradas", completou.

Pelo resto do país, sindicatos se organizam para fazer novos atos públicos, pedindo melhorias na carreira dos servidores da Polícia Federal. De acordo com o presidente da Fenapef, Marcos Wink, a categoria negocia há dois anos com o governo. "Sabemos que qualquer movimento de greve traz dificuldades à vida das pessoas, mas queremos minimizar esses impactos e ter o apoio da população", disse.

A categoria reivindica reestruturação salarial e da carreira dos agentes, escrivães e papiloscopistas. O salário inicial desses três cargos é R$ 7,5 mil, o equivalente a 56,2% da remuneração dos delegados, cujo vencimento de início de carreira é R$ 13,4 mil. A última greve nacional da PF ocorreu em 2004 e durou cerca de dois meses.