MP-AM recorre contra absolvição de PMs filmados atirando em jovem

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) recorreu nesta quarta-feira contra a decisão do Tribunal do Júri de Manaus que absolveu dois soldados da Polícia Militar suspeitos de atirar em um adolescente em agosto de 2010. Na tarde de ontem, o tribunal considerou os réus Rozivaldo de Souza Ferreira e André Luiz Castilho Campos inocentes dos crimes de tentativa de homicídio e falsa comunicação de crime.

De acordo com o promotor Ednaldo Medeiros, o MP-AM entrou com pedido para anular a decisão desta terça-feira e realização de novo julgamento. Segundo ele, a decisão do tribunal foi contrária às provas dos autos.

"As imagens provam, de forma irrefutável, que o PM atirou contra o adolescente", disse. Segundo o promotor, o corpo de jurados cometeu um "erro grosseiro" ao afirmar que o jovem não foi atingido por disparos. "O laudo demonstra que ele recebeu três tiros", declarou.

Abordagem suspeita

O crime, que aconteceu no dia 17 de agosto de 2010, foi flagrado por uma câmera de segurança. Segundo as investigações, no dia do crime, os acusados averiguavam uma ocorrência dada por um mototaxista, que dizia ter visto um traficante armado na região. Durante a diligência, os PMs teriam sido alvejados por pessoas não identificadas, iniciando-se uma troca de tiros entre a polícia e os traficantes, que terminou sem feridos ou detidos.

Após esse fato, os acusados se depararam com a vítima, que passava no local. Desconfiados de seu envolvimento com os criminosos, os policiais renderam o jovem, exigindo que ele delatasse o esconderijo dos bandidos. O adolescente disse que não sabia de nada e passou a ser ameaçado pelos policiais.

Segundo o relatório apresentado pelo Ministério Público, após a abordagem, "o jovem franzino e indefeso, foi mandado se escorar na parede, ficando de cabeça baixa, quando inesperadamente o acusado André Luiz Castilho Campos, utilizando-se de uma arma de fogo (...) de propriedade da Polícia Militar, passa a disparar contra a vítima, acertando-lhe três projéteis".

Ainda segundo a acusação, "os demais acusados policiais militares, Janderson Bezerra Magalhães, Wesley Souza dos Santos, Rozivaldo de Souza Ferreira, Alexandre Souza dos Santos, Marcos Teixeira de Lima e Wilson Henrique Ribeiro Cunha, se omitiram em impedira prática criminosa de André Luis, quando deviam e podiam agir para evitar a agressão".