Mesmo em sessão secreta de CPI, mulher de Cachoeira se nega a responder  

Apesar de ter concordado em se reunir com a CPI mista do Cachoeira a portas fechadas, para ter a privacidade resguardada, a ex-mulher do contraventor, Andréa Aprígio, não respondeu às perguntas formuladas pelos parlamentares.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) deixou a sala por volta das 11h45 e adiantou à imprensa que Andréa não está colaborando, o que, na opinião dele, pode complicar a vida dela.

"É evidente que o silêncio fala. E o silêncio a condena. Ela não responde sequer coisas do cotidiano da vida dela de empresária. Andréa sai deste depoimento como cúmplice de Cachoeira. Agora o esforço vai ser provar isso", opinou o deputado.

A reunião da CPI desta quarta-feira (8) começou pouco depois das 10h15. Num breve discurso inicial, a ex-mulher de Cachoeira afirmou que nada tem a ver com o esquema criminoso do contraventor goiano.

Os parlamentares ainda vão ouvir nesta sessão Rubmaier Ferreira, apontado como contador do grupo, que também tem habeas corpus para ficar em silêncio.

 Andréa Aprígio e Souza disse que todas as suas empresas estão em situação legal e que não está investigada pela Polícia Federal, mas pela imprensa. “Com o devido respeito, [os jornalistas] devem investigar melhor os fatos”.

Apesar de dispor de um habeas corpus que lhe dava garantias para permanecer em silêncio, ela fez uma exposição inicial e evocou o direito de não responder a nenhuma pergunta.

Ela disse que, enquanto foi casada com Cachoeira, sempre o admirou, mas tinha uma vida profissional distinta. Afirmou também que sempre procurou pautar sua vida por princípios éticos. “Cada um deve responder na medida dos seus atos”, disse.

Ela afirmou que está sendo envolvida em uma questão que não lhe diz respeito. “Os senhores acreditam sinceramente que alguém deixaria algum bem em nome de ex-exposa ou ex-marido?”, questionou.

Andrea afirmou que está extremamente desconfortável com a exposição pública da sua imagem, que considera excessiva. Ao se recusar a falar, disse que tem de pensar primeiramente em seus filhos, que estão angustiados com a situação do pai. 

Disse que os filhos sofrem pressão dos amigos na escola e choram constantemente. “Preciso preservar meus filhos, todos pequenos, dois em fase de adolescência e pré-adolescência, que já são fases complicadas por si só”, disse.

Andréa Aprígio e Souza foi casada com o contraventor por quase 20 anos. Após a separação, ela se tornou dona do laboratório Vitapan, empresa supostamente integrante do esquema. A Vitapan tem sede em Goiânia e passou a ser dirigida por Andréa após a saída dos dois antigos diretores, que são irmãos dela.

Um dos irmãos, Aprígio de Souza, foi preso na Operação Monte Carlo sob suspeita de ser o tesoureiro de parte das finanças ilegais de Cachoeira. Também há suspeita de favorecimento do laboratório com lobby do ex-senador Demóstenes Torres na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Com informações da Agência Senado