PSDB quer ouvir ex-governador de Goiás na CPI do Cachoeira 

O ex-governador de Goiás, Iris Rezende (PMDB), pode ter que prestar esclarecimentos à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista que investiga as relações criminosas de Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados. A informação é da Agência Senado.

O requerimento para ouvir o antecessor de Marconi Perillo foi protocolado na CPI pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), com base em relatório da Polícia Federal, apontando que o ex-governador teria recebido R$ 2 milhões da organização criminosa por meio de Sodino Vieira de Carvalho, coordenador-geral da campanha do político ao governo estadual em 2010.

Carlos Sampaio destaca, no requerimento, uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo, de 2 de agosto, denunciando que Sodino teria recebido o dinheiro diretamente de Gleyb Ferreira da Cruz, um dos assessores mais próximos de Carlos Cachoeira. De acordo com a PF, a verba integra um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas operado por Gleyb.

Diante das denúncias, Sampaio considera haver "fortes indícios do envolvimento de Iris Rezende com a organização criminosa", daí a necessidade da convocação. Em outro requerimento, o deputado pediu à comissão para ouvir também Sodino Vieira, que já reuniu a imprensa para negar as acusações. Os requerimentos devem ser colocados em votação na próxima reunião administrativa da CPI, marcada para 14 de agosto.

Próximos depoimentos

Nesta terça-feira, às 10h15, a CPI ouve a atual mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, que deve ser questionada sobre a acusação de tentativa de chantagem ao juiz federal Alderico Rocha Santos. Segundo o magistrado, ela teria tentado chantageá-lo com ameaça de divulgar um dossiê com informações e fotos dele com políticos e empresários.

Foi convocado para o mesmo dia o policial federal aposentado Joaquim Gomes Thomé Neto, apontado como um dos "arapongas" da quadrilha de Cachoeira. Ele havia sido convocado no início de julho, mas apresentou atestado médico. Thomé Neto já tem decisão favorável ao pedido de habeas corpus impetrado no STF para permanecer em silêncio na reunião.

Carlinhos Cachoeira 

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.