Oposição pede que ex-governador de GO deponha na CPI do Cachoeira 

Deputados do PSDB e do PPS protocolaram nesta segunda-feira um requerimento para que o ex-governador de Goiás Íris Rezende (PMDB) e de seu coordenador de campanha em 2010, Sodino Vieira de Carvalho, sejam ouvidos pela CPI do Cachoeira.

O objetivo do depoimento, segundo os parlamentares, é esclarecer o suposto esquema de transferência de recursos para o exterior envolvendo empresas controladas pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, apontado em relatório da Polícia Federal.

De acordo com Carlos Sampaio (PSDB-SP) há "fortes indícios do envolvimento de Iris Rezende com a organização criminosa". Já o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PPS-PR) diz que "a CPI tem que apurar com todo rigor a ligação da organização criminosa de Cachoeira com o mundo da política, e esses depoimentos poderão ajudar a elucidar como ela funcionava".

Na semana passada, o líder do PPS pediu a convocação do candidato a prefeito de São Paulo, Celso Russomanno (PRB), para esclarecer envolvimento nesse mesmo esquema, mas o relator da CPI, o deputado federal Odair Cunha (PT-MG), disse que ainda não há indícios suficientes para que Russomano seja convocado a depor.

Carlinhos Cachoeira 

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.