Mensalão: não se provou ligação entre recurso e voto, diz defesa de Henry 

O advogado do deputado federal Pedro Henry (PP-MT), acusado pelo Ministério Público (MP) de receber propina para capitanear o apoio do Partido Progressista (PP) em projetos de interesse do governo no mensalão, afirma que não existem provas de que seu cliente tenha cometido os crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. "Não se provou, durante toda a instrução, qualquer link entre o recebimento de um recurso e o voto de deputado em um projeto do governo", diz José Antonio Duarte Álvares.

Então líder do PP na Câmara dos Deputados, Pedro Henry teria, segundo o MP, participado das negociações do repasse de R$ 3 milhões ao partido em troca de apoio na votação de projetos como a reforma da Previdência e tributária. O advogado argumenta que, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando foram apresentados projetos parecidos, os parlamentares do PP já demonstravam que votariam a favor. "Eles não mudaram por conta do PT. Eles mantiveram o entendimento, inclusive quando estavam em outra base (do governo FHC). Não faz sentido algum você receber dinheiro para votar em uma coisa que já demonstrava que votaria a favor".

Para o defensor, a expectativa para o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) é boa, "apesar da apreensão e da preocupação natural com todos os julgamentos". "O deputado era líder do partido na Câmara, isso significa que a atuação dele era somente política. Ele nunca teve qualquer tipo de gerencia na administração do partido, principalmente na parte financeira", diz José Antonio Duarte Álvares.

Apesar das denúncias, o deputado Pedro Henry não renunciou ao cargo e foi absolvido pelos colegas da Câmara em 2006. Ele foi reeleito no mesmo ano e em 2010. Atualmente cumpre o quinto mandato. Ele foi procurado pela reportagem, mas não foi localizado no gabinete, em Brasília, e nem na sede do PP, em Cuiabá, no Mato Grosso. O advogado explica que o parlamentar só vai se pronunciar após a decisão do Supremo. "Ele faz parte de um Poder da República. Não faz sentido o deputado se opor ao julgamento de outro Poder. Achamos que seria desrespeitoso ele se pronunciar".