Mensalão: dinheiro foi usado para carros de som, diz defesa de Anderson Adauto

A defesa do ex-ministro dos Transportes e atual prefeito de Uberaba, no triângulo mineiro, Anderson Adauto (PMDB), acusado de lavagem de dinheiro e corrupção ativa no escândalo conhecido como mensalão, afirma que a denúncia do Ministério Público (MP) não apresenta provas. O advogado Roberto Pagliuso confirma que Adauto recebeu R$ 410 mil do PT, mas diz que o recurso era lícito até onde ele sabia e foi usado para pagar despesas com carros de som usados na campanha de Adauto em 2002.

Segundo a acusação, Anderson Adauto, então filiado ao PL (atual PR), era "profundo conhecedor do esquema de lavagem de dinheiro" e teria usado o seu chefe de gabinete na época, José Luiz Alves, como intermediário para receber os recursos. O MP diz ainda que Adauto agiu como interlocutor para garantir o repasse de propina também ao PTB, presidido pelo delator do mensalão, Roberto Jefferson.

Adauto nega as acusações e diz, via advogado, que não tinha conhecimento sobre o suposto pagamento de mesadas a parlamentares para que votassem com o governo do ex-presidente Lula. "Adauto não era deputado, então não se pode falar que ele recebeu dinheiro para votar de acordo com o governo", contesta o advogado.

A defesa reforça a ausência de provas nas alegações finais do MP apresentadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), que começa a julgar neste dia 2 de agosto os 38 réus do mensalão. Pagliuso, que também defende José Luiz Alves, afirma que seus clientes não irão ao julgamento.

Sobre os recursos recebidos do PT, o advogado alega que Anderson Adauto pediu dinheiro ao então tesoureiro do partido, Delúbio Soares, para quitar despesas da campanha dele para deputado federal em 2002. Com sinal verde, mandou José Luiz Alves receber o recurso indicado por Delúbio no Banco Rural. "Ele foi lá, assinou recibo e se identificou", diz Pagliuso.

De acordo com o defensor, os R$ 410 mil foram usados para pagar os serviços de carro de som usados por Adauto na campanha. "A aplicação (do dinheiro) foi demonstrada no curso do processo porque a pessoa do carro de som foi ouvida e reconheceu que recebeu os valores. E a origem desse recurso foi confirmada: do PT, via Delúbio, recebida num banco", afirma.

A defesa do político mineiro está confiante em sua absolvição no STF. "Minha expectativa é positiva uma vez que acredito que o julgamento vai ser técnico e, no aspecto técnico, o processo não tem provas para caracterizar os crimes que foram imputados tanto ao José Luiz quanto ao Anderson Adauto", afirma Roberto Pagliuso.