Crise na PF: federação pede demissão do diretor geral e denuncia irregularidades

Delegados em São Paulo defendem permanência de Daiello Coimbra

O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Wink, acusa o Departamento de Polícia Federal (DPF) de viver hoje uma crise, por conta da administração do diretor-geral Leandro Daiello Coimbra. Em ofício entregue sexta-feira (27) ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, após um rosário de queixas, ele pede a demissão do delegado Daiello Coimbra.

A crise divide a Polícia Federal. Na quarta-feira passada (25), agentes e servidores fizeram manifestação na porta da sede do DPF, o prédio conhecido como Máscara Negra, em Brasília, promovendo o enterro simbólico do diretor-geral e reivindicando aumento salarial. No dia seguinte, os delegados lotados em São paulo saíram em defesa de Daiello Coimbra, repudiando a manifestação da véspera. Ao mesmo tempo, o Sindicato dos Delegados da Polícia Federal de SP enviou nota ao ministro Cardozo, em solidariedade e pedindo a punição dos responsáveis pelas manifestações por "transgredirem as normas legais e ofenderem a instituição". 

Desde segunda-feira o Jornal do Brasil pediu uma manifestação da Polícia Federal sobre o ofício encaminhado pelo presidente da Fenape. A solicitação foi reiterada - duas vezes - na terça-feira. Nesta quarta-feira (01/08), a assessoria de imprensa do DPF alegou que ainda estava "aguardando uma resposta".

Na nota que entregou ao assessor do ministro, na sexta-feira, o presidente da Federação fala da morte de 12 agentes de polícia – dois deles por suicídio - e de um grande número de feridos em razão da função policial, nos últimos 12 meses, período da gestão de Daiello. Segundo a nota encaminhada, inexiste  “amparo psicológico e assistencial aos policiais e seus familiares”.

Ela fala ainda de uma “estatística ‘não-oficial’ de policiais com problemas psicológicos”, extremamente grande e denuncia que “em muitos casos a ineficiência da gestão prefere encaminhar servidores doentes às corregedorias, para serem punidos”.  

Segundo o oficio encaminhado ao ministro, por conta da desmotivação, “somente no ano passado, quase 100 agentes federais abandonaram o cargo”, sem computar os que se aposentaram.

Queixa-se ainda o presidente da federação que o diretor-geral, “relembrando os tempos da ditadura, não autorizou a realização de uma pesquisa de satisfação dos servidores da Polícia Federal que vinha sendo feita por pesquisadores da UNB – Universidade de Brasília”.

A federação também acusa Daiello de usar politicamente as 31 vagas oferecidas para um curso de Executivos de Polícia (LEEDS) na Academia da Federal Bureau of Investigation – FBI, em Quântico, na Virgínia (EUA). Todas elas, segundo a entidade que reúne agentes de polícia, foram preenchidas por delegados. Entre os beneficiados,  “muitos exerciam na Polícia Federal atividades essencialmente administrativas e, com toda certeza, não iriam utilizar os conhecimentos adquiridos quando retornassem ao Brasil”.

Também falam de negociação em torno de cargos no exterior. Segundo a nota, uma nomeação para Adida Internacional (função exercida em uma embaixada brasileira no exterior) teria sido prometida à delegada que hoje nega todos os pedidos protocolados com base na Lei de Informações, sob a alegação do sigilo dos documentos.

Como suas recusas a têm “queimado” junto a alguns sindicatos e entidades, ela receberia o cargo no exterior: “Assim, ficaria dois anos longe e, em tese, não seria alvo de ações sindicais a serem impostas pelos prejudicados. Depois voltaria ao Brasil já com tempo para a sua aposentadoria”, diz a Federação.