Agente da PF diz que policial morto em cemitério foi abordado por PMs 

O agente da Polícia Federal (PF) Fábio Alvarez disse nesta terça-feira, em audiência dos envolvidos na Operação Monte Carlo, da PF, no prédio da Justiça Federal em Goiânia, que o agente Wilson Tapajós Macedo, morto há uma semana em um cemitério em Brasília, já havia sido abordado por policiais militares quando fazia uma diligência na casa de uma servidora pública identificada apenas como Regina.

Tapajós visitava o túmulo dos pais, no cemitério Campo da Esperança, quando um homem atirou duas vezes contra a cabeça do agente. O assassino fugiu levando o carro do policial, um Gol branco, que está registrado em nome do filho. A arma de Tapajós não foi roubada. A cena foi presenciada por um coveiro do cemitério, que avisou à direção do local, responsável por chamar a Polícia Militar.

Tapajós trabalhava no núcleo de inteligência da PF e atuou na Monte Carlo, que resultou na prisão do bicheiro Carlinhos Cachoeira, desde o início da operação, em 2009. O agente também investigou casos envolvendo narcotráfico e pedofilia.

Depoimento

Alvarez é o primeiro a ser ouvido na audiência que conta com a presença do contraventor Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás. O agente da Polícia Federal confirmou que o esquema de jogo ilegal de Cachoeira contava com a participação de policiais civis, militares e federais, que recebiam propina para proteger as casas de bingo e ajudavam a retirar caça-níqueis apreendidos de dentro das delegacias.

Segundo o agente, o réu Lenine Araújo de Souza era o responsável por fazer o pagamento aos policiais. Ele disse que os agentes envolvidos com o grupo do Cachoeira ajudavam a impedir e avisar quando estava ocorrendo uma operação da polícia.

Ao todo, estão previstos para hoje os depoimentos das 14 testemunhas - 10 de defesa e quatro de acusação. As oitivas dos réus, inclusive de Cachoeira, estão marcadas para amanhã.

Apenas um dos sete réus acusados de participar do esquema não assiste aos depoimentos: o foragido Giovani Pereira da Silva. A mulher do contraventor, Andressa Mendonça, e o pai, Sebastião de Almeida Ramos, acompanham a audiência.

Antes de iniciar as oitivas, o advogado Ney Moura Teles, que representa o ex-vereador goiano Wladimir Garcez, solicitou a saída dos jornalistas da sala, acusando a imprensa de sensacionalista e de estar fazendo pré-julgamento dos réus. O juiz Alderico Rocha negou o pedido.