Professores e governo devem se reunir novamente esta semana 

Representantes do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) e dos ministérios da Educação (MEC) e do Planejamento (MP) devem realizar uma nova reunião nesta semana para seguir as negociações. Segundo o MP, o encontro deve acontecer entre terça e quarta-feira.

Na reunião realizada nesta segunda, os docentes apresentaram uma contraproposta ao texto divulgado pelo governo no último dia 13. "Acho que hoje caiu a ficha do governo sobre o que falamos há mais de um ano. A lógica de carreira que nos foi apresentada é rejeitada pelas universidades. No fim, o que ficou claro é que há vontade de negociar", avalia Luiz Henrique Schuch, 1º vice-presidente do Andes-SN. Segundo ele, a expectativa é de que as negociações avancem no próximo encontro. "O fim da greve depende do próximo movimento do governo e de uma reestruturação da proposta que valorize a titulação e a dedicação exclusiva", aponta.

Segundo o MP, o processo de negociação está sendo seguido. "Os docentes apresentaram suas propostas, e elas serão analisadas. A princípio, o MEC propõe que se crie um grupo de trabalho para analisar os aspectos pontuais apresentados pelo Andes, pois esse tipo de questão leva tempo para ser resolvida", afirmou o órgão, por meio de sua assessoria na Secretaria de Relações de Trabalho no Serviço Público.

Proposta do governo

A proposta apresentada no dia 13 pelo governo, a vigorar a partir de 2013, reduz de 17 para 13 níveis a carreira, como forma de incentivar o avanço mais rápido e a busca da qualificação profissional e dos títulos acadêmicos. A proposta prevê que todos os docentes federais de nível superior tenham reajustes salariais, além dos 4% concedidos pela MP 568 retroativo a março, ao longo dos próximos três anos. Confira abaixo a evolução do seu salário e da sua carreira.

O salário inicial do professor com doutorado e com dedicação exclusiva será de R$ 8,4 mil. Os salários dos professores já ingressados na universidade, com título de doutor e dedicação exclusiva passarão de R$ 7,3 mil para R$ 10 mil. Ao longo dos próximos três anos, a remuneração do professor titular com dedicação exclusiva passará de R$ 11,8 mil para R$ 17,1 mil.

No caso dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, a proposta prevê, além da possibilidade de progressão pela titulação, um novo processo de certificação do conhecimento tecnológico e experiência acumulados ao longo da atividade profissional de cada docente.

Segundo o governo, a proposta atende a reivindicação histórica dos docentes, que pleiteavam um plano de carreira que privilegiasse a qualificação e o mérito. "Além disso, torna a carreira mais atraente para novos profissionais e reconhece a dedicação dos professores mais experientes", finaliza o comunicado.