Para receber Dilma, Brasil acelera mudança para embaixada de R$ 63 milhões 

14, Cockspur Street, a exatos 155 passos da Trafalgar Square. Um belíssimo edifício de seis andares. Comprado pelo governo brasileiro, há um ano, por mais de 20 milhões de libras, algo como R$ 63 milhões ao câmbio de hoje. A partir da segunda-feira, 16, este será o novo endereço da embaixada do Brasil em Londres.

Neste sábado, 14, caixotes no saguão do prédio, ainda embalados, e o caminhão da Pickfords Movers, de placa Y326 FHG, estacionado em frente. Cinco homens descarregam móveis na manhã e tarde de garoa gelada. Mudança antecipada, acelerada nos últimos dias para que tudo esteja pronto quando Dilma Rousseff chegar.

A presidente do Brasil tem desembarque anunciado para dia 25 e partida a 28 deste julho, um dia depois da cerimônia de abertura das Olimpíadas; por ora, ainda na fase de murmúrios no circuito diplomático, sua presença ou não em recepção no Palácio de Buckingham.

Até esse final de semana, 14 e 15, a embaixada brasileira funciona em casa alugada. Na 32, Green Street, elegante região de Mayfair.

A nova embaixada do Brasil está a uma quadra e na mesma rua que desemboca na Trafalgar Square, no valorizadíssimo centro de Londres. A praça, que celebra a vitória inglesa contra Napoleão Bonaparte, entre os séculos XIV e XVII abrigava os estábulos do Palácio Whitehall.

Em obras, cercada por tapumes nesta véspera de Olimpíadas, a Trafalgar tem ao centro uma coluna. No topo, uma estátua do Almirante Nelson, que em 21 de outubro de 1805 comandou a Marinha Real no Cabo de Trafalgar, na costa espanhola.

Se a Trafalgar está a precisos 155 passos da embaixada do Brasil, a estátua do Rei George III está na pracinha em frente ao número 14 da Cockspur Street.

George III na calçada em frente à da embaixada brasileira tem algum sentido histórico.  Foi ele quem, em 1808, ordenou escoltar até o Brasil D. João VI e a corte de Portugal, que fugiam da invasão das tropas de Napoleão.

Dos janelões da novíssima e reluzente embaixada se vê o Rei George III; montado em seu cavalo, espada desembaiada. Como também registra a história, George William Frederick, o George III,  terminou a vida conhecido como "O Louco".