Começa a sessão que votará a cassação de Demóstenes Torres

Começa a sessão que votará a cassação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). O segundo mandato consecutivo do político goiano, acusado de ser o braço político do grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira, será submetido a votação - ainda na modalidade secreta - dos outros membros da Casa. São necessários 41 votos (metade dos senadores mais um) para a medida ser aprovada.

Primeiro a chegar ao Plenário nesta manhã, Demóstenes foi condenado no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar por envolvimento com o esquema de Carlinhos Cachoeira. A sessão promete lotar o plenário. As galerias foram abertas à população às 9h30, mediante a distribuição de senhas.

Sarney deu a palavra aos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Pedro Taques (PDT-MT), relatores desse processo, respectivamente, no Conselho de Ética e na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Em apoio à cassação, falará Randolfe Rodrigues (AP), líder do PSOL, partido que apresentou representação para a abertura desse processo contra Demóstenes Torres. Encerrada a manifestação de Randolfe, Sarney dará a palavra à defesa. Demóstenes Torres e seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro (Kakai), deverão dividir esse tempo em suas alegações finais.

Iniciado o processo de votação, o presidente pedirá a todos que ocupem seus lugares e que votem pelo sistema digital. Os dois painéis eletrônicos situados no plenário revelarão o resultado final da votação, que será anunciado formalmente pelo presidente Sarney. Em seguida, ele ordenará sua publicação no Diário do Senado.

Reeleito em 2010 para a 54ª e 55ª legislaturas, Demóstenes tem mandato válido até janeiro de 2019. Se os colegas decidirem por sua cassação, o senador ficará inelegível por oito anos, a contar a partir do fim do mandato para o qual havia sido eleito, conforme a Lei da Ficha Limpa. Assim, ele só poderia se candidatar a partir de fevereiro de 2027.

Demóstenes, então líder do DEM, foi parar no foco das investigações sobre Carlinhos Cachoeira com a divulgação de escutas telefônicas da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que prendeu o bicheiro no final de fevereiro. Nas gravações, o senador teria pedido dinheiro emprestado ao contraventor e vazado informações sobre reuniões reservadas com representantes dos três Poderes. Em um primeiro momento, o goiano afirmou que as escutas não haviam obedecido a critérios legais, já que possui foro privilegiado. Depois, reclamou de montagens nos registros e vazamentos das informações.

Após pedir desfiliação do DEM ao ver a sigla abrir processo para expulsá-lo, Demóstenes foi parar no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar por representação do Psol, enquanto o Congresso abria uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista para investigar a relação de Cachoeira com autoridades e empresas. Ao conselho, o senador disse desconhecer os negócios ilícitos do amigo e se disse traído, mas admitiu que o bicheiro pagava a conta de um aparelho Nextel que usava. Na ida à CPI, ele usou o direito constitucional de ficar calado.

Depois de o advogado do senador alegar cerceamento da defesa e ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para adiar a votação do Conselho de Ética, o colegiado aprovou, por unanimidade, o relatório do senador Humberto Costa (PT-PE), que recomendou a perda do mandato de Demóstenes. Enviada à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) para análise dos aspectos constitucional, legal e jurídico, a proposta também foi aprovada por unanimidade e liberada para ir a votação no plenário.

Se a cassação de Demóstenes for aprovada, quem assume a vaga é o empresário Wilder Pedro de Morais (DEM), secretário de Infraestrutura de Goiás. Dono de uma construtora, Morais é ex-marido de Andressa Mendonça, a atual mulher de Carlinhos Cachoeira.

Com agências Brasil e Senado