Dilma no Rio:manifestação de estudantes termina com agressão a jornalistas

Uma grande confusão marcou o discurso da presidente Dilma Rousseff durante a inauguração do Bairro Carioca, em Triagem, Zona Norte do Rio. Isso porque cerca de 50 estudantes do Ensino Médio e Superior ligados à União Nacional dos Estudantes (UNE) iniciaram um protesto durante o discurso da presidente e foram duramente reprimidos por seguranças do evento. Fotógrafos de diversos veículos de comunicação do Rio de Janeiro como Jornal do Brasil, O Dia, O Globo e agências foram empurrados diversas vezes quando tentavam se aproximar dos manifestantes para registrar o protesto.

Aos gritos de "10% para a Educação, aprovamos na Câmara, e não abrimos mão", o grupo foi empurrado para a saída do Bairro Maravilha. Todos se recusaram a deixar o evento. Os cartazes dos estudantes foram rasgados e jogados no lixo pelos seguranças.

"Todos os estudantes que estão aqui hoje sabem que a proposta do governo federal é não permitir que a destinação de 10% do PIB para a Educação seja aprovada no Senado e sancionada pela Dilma Rousseff. A proposta do governo é de apenas 8%. Queremos fazer pressão por isso. Já conseguimos na Câmara e não vamos desistir. A destinação de 10% do PIB para a educação representaria uma melhoria para o país inteiro", defendeu Beatriz Lopes, estudante de História da Universidade Federal Fluminense.

"Não entendo porque a truculência dos seguranças da Dilma. Cadê a liberdade de expressão?", indagou a estudante, mostrando um dos braços avermelhado e arranhados.

No momento em que a manifestação começou na plateia da inauguração, a presidente Dilma Rousseff teve o volume de seu telefone aumentado. Aos berros, ela exaltou o prefeito Eduardo Paes, elogiando as últimas obras realizadas na cidade, na tentativa de calar os manifestantes. Ao atentar para o coro, Paes puxou: "Olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma!". Os versos ganharam eco na maior parte dos convidados do evento, os beneficiários do programa "Minha Casa, Minha Vida".

A parcela oriunda das comunidades cariocas enfrentou os estudantes e ameaçou agredí-los. "Não interrompam a Dilma. Estamos esperando há dois anos para ter uma casa. Também somos favoráveis aos 10% (do PIB) para a educação, mas não é hora de protesto. É hora de comemorar a casa que estamos recebendo", esbravejou um líder comunitário na direção de um dos manifestantes.