Deputados criticam psicóloga que propõe "tratamento" para a homossexualidade 

O coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT na Câmara, deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), disse estar “constrangido” com a fala da psicóloga Marisa Lobo. “Orientação sexual e identidade de gênero são coisas que não confundem. Uma pessoa não pode se valer disso para querer curar uma pessoa por ser homossexual”, disse o parlamentar.

Segundo Jean Wyllys, a proposta da psicóloga só fortalece a egodistonia, ou seja, o indivíduo ter certeza de sua identidade sexual, mas querer ter outra. Essa classificação foi a utilizada por Marisa Lobo para justificar a “cura” de homossexuais.

“É óbvio que alguém homossexual vai ter egodistonia, mas por viver numa cultura homofóbica que rechaça e subalterniza sua homossexualidade. O certo seria colocar o ego em sintonia com seu desejo, é sair da vergonha para o orgulho”, afirmou.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) também criticou o que considerou como parcialidade na audiência. “Não cabe estarmos fazendo essa discussão. Não cabe alimentarmos a homofobia e o ódio aqui”, disse.

Ela lembrou que resoluções semelhantes existem na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Serviço Social.

Erika Kokay participa de audiência pública da Comissão de Seguridade Social para discutir o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 234/11, do deputado João Campos (PSDB-GO), que susta a aplicação de dois dispositivos da Resolução 1/99 do Conselho Federal de Psicologia, que orientam os profissionais da área a não usar a mídia para reforçar preconceitos contra os homossexuais nem propor tratamento para curá-los.

O debate foi sugerido pelo relator da proposta, deputado Roberto de Lucena (PV-SP), que quer subsídios para elaborar seu parecer. A audiência ocorre na data em que se comemora o Dia do Orgulho LGBT e prossegue no Plenário 7.