Jornalista reafirma que empresa de Cachoeira pagou por serviço feito a Perillo 

O jornalista Luiz Carlos Bordoni reafirmou em sua exposição inicial na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira que seu trabalho na campanha de Marconi Perillo ao governo de Goiás foi pago por uma empresa de fachada do contraventor Carlos Cachoeira, a Alberto & Pantoja Construções.

“O pagador de contas de Marconi Perillo [Lúcio Fiúza Gouthier] passou o número da conta da minha filha para uma quadrilha e envolveu o nosso nome nessa investigação”, disse.

Luiz Carlos afirmou que o depoimento do governador Marconi Perillo à CPMI foi mentiroso. "Eu gostaria que ele estivesse aqui hoje, olho no olho, para que pudéssemos fazer uma acareação. Quero encará-lo. Não o temo, ele precisa aprender que não se brinca com a honra das pessoas", acrescentou. Em seguida, reafirmou que recebeu "dinheiro sujo como pagamento de um trabalho limpo".

Bordoni também apontou a existência de um governo paralelo em Goiás comandado por Cachoeira. Segundo ele, “todos sabiam” que a ex-chefe de gabinete de Perillo Eliane Gonçalves “representava Cachoeira no governo, com radinho na mão” (uma referência ao aparelho Nextel cedido pelo contraventor).

O jornalista disse que havia passado o número da conta da filha dele, Bruna, para Gouthier, para receber quantias atrasadas relativas à campanha eleitoral de 2010 e depois foi informado de que o depósito havia sido feito, mas não checou quem havia depositado.

Em abril, no dia do depoimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) na CPMI, foi surpreendido pela “terrível notícia” de que um depósito na conta de sua filha tinha sido feito por uma empresa de fachada de Carlinhos Cachoeira.

Além disso, disse ter sentido “profunda indignação” pelo fato de a filha ter aparecido como laranja do senador Demóstenes. Bordoni afirmou que, de fato, a filha foi nomeada como assessora do senador, mas não chegou a tomar posse no cargo, por problemas de saúde.

O jornalista disse que recebeu em dia R$ 80 mil de R$ 120 mil combinados pelo seu trabalho. Além dos R$ 40 mil que ficaram faltando, teria deixado de receber R$ 50 mil relativos ao bônus pela vitória na eleição, que também teria sido previamente combinado. “O recebimento dessas quantias atrasadas é que me trouxe a essa CPMI”, disse.

“Quem sou eu para achacar o rei do achaque?”, perguntou ele, contestando a versão de que os depósitos em sua conta são resultado de extorsão contra Cachoeira. Segundo ele, essa versão é “risível”. Ele questiona o fato de não ter aparecido nenhuma gravação dessa suposta chantagem e nenhum papel, pois se alega que tenha sido feita por escrito.

Bordoni disse que conhece Perillo desde que este ajudava o pai em um balcão de bar e que por ele “topava qualquer parada”. Foi até condenado por defender seu candidato, mas não se importou, porque, “por Marconi, seja o que Deus quiser”.

Com Agência Câmara