Reunião que decide cassação de Demóstenes começa sem o senador

Advogado se diz ‘perplexo’ por relator ter decretado o fim da instrução sem ouvir defesa 

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) não participa da sessão da noite desta segunda-feira do Conselho de Ética no Senado, onde o responde a processo por quebra de decoro parlamentar. Hoje, o colegiado votará o parecer do relator, o senador Humberto Costa (PT-PE), que pode recomendar a cassação do colega por suas relações com o contraventor Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro.

O advogado de defesa do senador Demóstenes Torres, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, iniciou a defesa do parlamentar e voltou a insistir que o processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar é político, mas o rito deve seguir à Constituição, ao Regimento Interno, e à resolução que rege o funcionamento do Conselho de Ética, algo que a seu ver não foi respeitado.

Kakay se disse “perplexo” pela atuação do relator do processo, senador Humberto Costa (PT-PE), que teria dado encerramento à instrução do processo na reunião do dia 12 de junho, sem que a defesa tivesse se manifestado.

Escutas

O advogado insistiu que as escutas que flagraram o senador Demóstenes na Operação Monte Carlo são ilegais, pois não houve autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar um senador da República. Para ele, a tese de “encontro fortuito” – Demóstenes foi flagrado em conversas com Cachoeira, que era o investigado – não se sustenta, porque a investigação durou mais de um ano. Kakay criticou os “vazamentos sistemáticos”, a seu ver feitos de forma a desmoralizar e criar um pré-julgamento, e que isso foi um “massacre” contra Demóstenes.

Kakay também fez uma crítica ao que considerou “erros crassos” muitas vezes cometidos pela primeira instância do Judiciário – o que em sua opinião ocorreu neste caso – e que levam os tribunais superiores a anular inúmeros processos, sendo acusados sempre de “lenientes”, o que para ele seria uma ofensa.

Com informações da Agência Senado