Professores federais em greve reclamam do descaso com suas reivindicações

Em greve desde o dia 17 de maio, os professores de universidades e instituições federais de ensino não conseguem enxergar indício de que o movimento verá suas demandas atendidas. O Ministério da Educação parece não ter pressa. O secretário de educação superior da pasta, Amaro Lins, admite que já há uma proposta, mas não sabe o dia que irá apresentá-la.

Enquanto isto, de acordo com o Comando Nacional de Greve, 95% das faculdades mantidas pelo MEC estão paralisadas. Além delas, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) também está com atividades suspensas, mas com reivindicações diferentes.

Professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e integrante do Comando Nacional da Greve, Graciela Garcia chamou a atenção para o que chamou de ‘descaso’ do Ministério a Educação (MEC). Segundo a docente, os grevistas são ignorados e suas demandas não estão sendo, sequer, discutidas.

“Reuniões foram canceladas e nada de concreto nos foi proposto”, lamentou. “O único posicionamento que recebemos foi no dia 12 de junho, quando nos pediram uma trégua de 20 dias, para no final do prazo apresentarem uma proposta. Mas isso não aceitamos. Queremos algo efetivo. Hoje, 3,18% do orçamento é destinado para a pasta. Queremos que este montante chegue a 10% do PIB”.

Os docentes federais pleiteiam carreira única com incorporação das gratificações em 13 níveis remuneratórios; variação de 5% entre níveis a partir do piso para regime de 20 horas correspondente ao salário mínimo do Dieese (atualmente calculado em R$ 2.329,35); e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho. Segundo os grevistas, alguns professores ganham um salário base R$ 557, ao qual são somadas as gratificações. No próximo dia 28, um protesto está agendado para a frente da sede do Banco Central, em Brasília.

Já os professores estaduais, que segundo a Associação de Docentes da Uerj não recebem aumento desde 2001, pedem reajuste salarial imediato de 22%, plano de compensação das perdas dos últimos dez anos e a instituição de regime de dedicação exclusiva. Os grevistas pedem ainda que a situação dos professores substitutos, que em alguns casos receberiam menos de R$ 600, seja regularizado o quanto antes.

O MEC negou que haja servidor que recebe R$ 557. O secretário de educação superior dda pasta, Amaro Lins, garantiu que apenas 180 professores, em um universo de 70 mil, recebem R$ 1.597,92 por uma jornada de apenas 20 horas. O MEC afirmou, também, que já tem um proposta pronta para apresentar aos grevistas, que pretende apresentar esta semana, mas não precisou uma data.

Procurada para apresentar sua versão sobre os fatos, a Secretaria de Estado de Educação não retornou até o fechamento desta reportagem.