SP: polícia apura ligação entre incêndios e ataques contra a PM  

Dois veículos - um carro roubado e um ônibus metropolitano - foram incendiados entre o final da noite de sexta-feira e o início da madrugada deste sábado em Diadema, na Grande São Paulo, em bairros que ficam próximos a uma base móvel da Polícia Militar no município. Agora, policiais civis do 1º Distrito Policial do município investigam se há relação entre os casos e se os ataques aos veículos podem ter qualquer ligação com uma eventual tentativa de ameaça à PM, que entrou em alerta após o assassinato de quatro policiais militares na última semana.

Os atentados ocorreram em um intervalo de tempo de menos de meia hora. Em um deles, criminosos pararam um ônibus metropolitano que trafegava pela região da avenida dos Signos, no bairro de Conceição, e ordenaram que o motorista, o cobrador e ao menos um passageiro descessem. Em seguida, eles atearam fogo ao veículo, mas ninguém se feriu. O outro carro queimado foi um Fiat Uno que havia sido roubado, abandonado pegando fogo na rua José Bonifácio, no bairro de Serraria - os dois endereços ficam a menos de 2 km de distância um do outro. Ninguém se feriu.

De acordo com a Polícia Civil, ambos os endereços ficavam próximos a uma base móvel da Polícia Militar, mas a corporação ainda investiga se os carros estão relacionados e se os incêndios foram uma tentativa de ameaçar os policiais militares. Nenhum criminoso foi preso, e ainda não há detalhes sobre os casos.

Ataques contra PMs

Também hoje, um policial militar foi assassinado a tiros no início da manhã na região central de Ferraz Vasconcelos, município na região metropolitana de São Paulo. O cabo Joaquim Cabral de Carvalho, que pertencia ao 32º Batalhão de Polícia Militar, foi morto enquanto voltava para casa, em trajes civis. A PM não sabe se o crime foi premeditado.

Os ataques a policiais militares nos últimos dias colocaram a corporação em alerta e o policiamento na capital paulista foi reforçado. Durante a semana, a cidade de São Paulo registrou a morte de quatro policiais militares em menos de 72 horas. Na quarta-feira, um PM foi morto em Pirituba e um soldado foi executado em uma academia de artes marciais em São Mateus. Na quinta-feira, um PM foi morto em um mercado de Capão Redondo. No dia seguinte, um policial foi executado na região de Grajaú enquanto ia para o trabalho.

Em nota divulgada ontem, o comandante geral da PM, Roberval Ferreira França, disse que os casos de violência contra policiais estão sendo investigados pela Corregedoria da corporação em parceria com a Polícia Civil, mas negou que haja indícios de os casos tenham sido premeditados ou que tenham partido do Primeiro Comando da Capital (PCC) - responsável pelas ondas de ataques em 2006, que deixaram vários mortos e provocaram pânico no Estado.

"Até o momento, não há nada que indique que estes crimes covardes sejam ação orquestrada. Toda a estrutura do Departamento de PM Vítima, da Corregedoria, e o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) estão trabalhando juntos para que os autores sejam rapidamente identificados e presos", afirmou o comandante, em nota. "Sobre os recentes episódios, cabe esclarecer que não houve nenhum assassinato de PM em serviço em 2012", completou o comandante, reforçando que as vítimas foram atacadas quando estavam de folga, reagiram ou tentaram intervir em roubos contra terceiros, faziam "bico" ou "foram surpreendidos por marginais em via pública".

Ainda segundo a PM, pelo menos 34 policiais militares foram mortos de forma violenta quando estavam em horário de folga desde o início do ano.