Ex-ministro do Trabalho, Lupi diz não 'guardar mágoa' de Dilma 

O ex-ministro do Trabalho e presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou nesta quinta-feira que não "guarda mágoas" da presidente Dilma Rousseff por tê-lo demitido, em dezembro do ano passado, após denúncias de irregularidades na pasta. Lupi compareceu hoje à cerimônia de posse do seu sucessor, Brizola Neto, nomeado quase seis meses depois da saída do ex-ministro.

"Não fica mágoa, mágoa faz mal à saúde. A ferida está cicatrizada, e eu sempre disse que apoiaria o governo Dilma independente de o PDT ter ou não cargos na Esplanada. Tenho que ser coerente. Não há nenhuma ameaça de retaliação ao governo", garantiu Lupi, que também disse apoiar a escolha de Brizola Neto para o ministério.

O PDT, partido ao qual pertence o Ministério do Trabalho, entregou uma lista tríplice para que a presidente escolhesse o nome. Nos bastidores, a informação é que Dilma estaria estudando incorporar o Ministério do Trabalho ao da Previdência e, por isso, demorou a escolher um substituto para Lupi. Logo após a queda do ex-ministro, havia rumores de que o partido poderia perder o mando da pasta.

Dilma foi convencida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a não passar as comemorações do Dia do Trabalhador sem um nome definitivo à frente da pasta que cuida das políticas para o setor. Para Lupi, no entanto, não houve interferência de Lula na escola de Brizola Neto, 33 anos, o mais novo ministro da Esplanada dos Ministérios.

"Não vejo interferência. O presidente Lula é referência neste País e tem o direito de opinar sobre tudo, a qualquer hora. Sempre o ouvirei porque tenho uma admiração sem tamanho pelo presidente Lula", disse ele.

Novo ministro

Filiado ao PDT desde 1997, Brizola Neto é neto do ex-governador Leonel Brizola (fundador do partido) e foi vereador da cidade do Rio de Janeiro antes de ser eleito para o primeiro mandato como deputado federal, em 2006.

A queda de Lupi

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi (PDT), pediu demissão no dia 4 de dezembro, cerca de um mês após denúncias de que seus assessores cobrariam propina de organizações não governamentais (ONGs) conveniadas com a pasta e de que teria ocupado cargo-fantasma na Câmara dos Deputados por seis anos. No governo federal desde 2007, Lupi culpou a "perseguição política e pessoal da mídia" por sua saída.

A crise começou no início de novembro, quando a revista Veja publicou que funcionários do ministério estavam envolvidos em um suposto esquema de cobrança de propina de ONGs conveniadas com a pasta comandada pelo ministro. Segundo a publicação, entidades tinham o repasse bloqueado após problemas com a fiscalização. Assessores de Lupi, então, procuravam os dirigentes para resolver o problema cobrando propinas de 5% a 15%. Na ocasião, Lupi disse que irregularidades de funcionários, se existiam, não podiam ser atribuídas a ele, pedindo investigação do caso.

Mas o escândalo se ampliou quando o ministro teve que ir ao Congresso explicar uma viagem no avião do empresário dono da ONG Pró-Cerrado, que tem convênios de R$ 14 milhões com o Trabalho, para cumprir agenda no Maranhão. Inicialmente, o ministro negou conhecer Adair Meira, mas voltou atrás depois de ter fotos divulgadas ao lado dele. Lupi argumentou ter dito apenas que não mantinha "relações pessoais" com Meira.

Na última semana antes de deixar o cargo, o jornal Folha de S. Paulo, denunciou que o ministro foi lotado na liderança do PDT por seis anos, mas no período exerceu atividades partidárias como vice-presidente da sigla. As normas da administração pública dizem que ocupantes desses cargos devem exercer funções técnicas e precisam trabalhar nos gabinetes. Apesar do apoio do partido e da vontade da presidente Dilma Rousseff em não perder mais um ministro para denúncias de corrupção, a permanência de Lupi no comando da pasta se tornou insustentável após a Comissão de Ética Pública aplicar, por unanimidade, uma advertência e recomendar sua demissão.