Siro Darlan sobre Caso Cachoeira: "não duvido de lobby do STJ"

Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação de Juízes para a Democracia, Siro Darlan se diz "triste e envergonhado" diante das denúncias de que o ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça, teria votado pela anulação do processo contra Amilton Batista Faria (PTB), presidente da Câmara de Vereadores de Anápolis (importante aliado de Carlinhos Cachoeira), depois de ser recebido pelo senador Demóstenes Torres. 

O ministro, por sua vez, confirma que recebeu Demóstenes, mas nega favorecimento.  

Para Darlan, há chances de ter ocorrido um caso de lobby, já que "há quem vista a toga para desrespeitar a Justiça". "Como já disse a corregedora Eliana Calmon, há bandidos de toga. E eu não duvido nada que o pedido do Demóstenes tenha sido atendido", atacou.

No Dia do Trabalhador, Darlan comemora o ressurgimento de movimentos sociais que reivindicam o fim da corrupção no país. 

"Na história do país, tivemos diversos movimentos sociais que foram fundamentais para a tomada da posição dos políticos que não atendiam ao trabalhador. Isso parece estar voltando. Estes movimentos estão sendo revitalizados. O povo está cansado do imposto malversado e não revertido em benefício da classe trabalhadora", afirmou, sobre as denúncias de corrupção envolvendo a ligação de parlamentares e entidades públicas com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

"O episódio do STJ me causa muita tristeza e vergonha. O Judiciário é sempre a última porta que batemos para pedir a restauração dos nossos direitos. É lamentável", finalizou.