O relatório semestral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), publicado nesta segunda-feira em Cádiz, na Espanha, critica a forma como o governo brasileiro tem lidado com os assassinatos a jornalistas no País. Segundo o documento, dos cinco jornalistas que foram mortos no Brasil nos últimos seis meses, três assassinatos tinham clara relação com o exercício profissional. Um dos principais problemas encontrados, segundo o relatório, está na demora da Justiça brasileira em julgar casos que envolvam assassinatos de jornalistas e liberdade de imprensa.
Pelas conclusões da SIP, os principal problemas enfrentados atualmente pela imprensa da América Latina em geral está no fato de muitos governos, embora democráticos, usem do autoritarismo para tentar coibir a liberdade de imprensa. Países como Brasil, Cuba, México, Haiti, Venezuela, Equador, Argentina, Bolívia e Nicarágua foram apontados como exemplos.
Nos últimos anos, a SIP tem criticado duramente algumas decisões brasileiras em torno do tema, como em setembro de 2011, quando a Justiça proibiu o Grupo RBS, do Rio Grande do Sul, de divulgar informações sobre casos de corrupção cometidos por um vereador que utilizava dinheiro público para fazer viagens turísticas. Gonzalo Marroquín, presidente da SIP e do jornal guatemalteco Siglo 21, classificou a decisão como "um caso de censura prévia' e lamentou que no Brasil "os juízes sempre optem por defender funcionários corruptos em vez de fortalecer a liberdade de imprensa e a importância de todos os atos do governo para o fortalecimento da democracia".
Em fevereiro deste ano, o órgão pediu empenho da presidente Dilma Rousseff para criar um tribunal especial para julgar crimes contra jornalistas, em razão do assassinato do jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, 51 anos, que foi atropelado por uma moto e baleado cinco vezes em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. A morte de Rodrigues foi a terceira de um jornalista registrada em 2012. Segundo relatório da SIP, de 1987 até fevereiro de 2012, 41 jornalistas haviam sido assassinados no País.