Líder do PMDB: Vital do Rêgo deve presidir CPI do Cachoeira

O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) pode ser o escolhido do partido para presidir a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira. De acordo com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do partido na Casa, a situação "está caminhando para confirmar o nome de Vital". As informações são da Agência Senado.

"Não é possível confirmar ainda, mas o cenário está caminhando para que seja ele" disse na noite desta quinta-feira, enquanto o senador Vital do Rêgo estava em voo a caminho de Brasília.

A CPI do Cachoeira foi criada na manhã desta quinta-feira, com a adesão de 337 deputados e 72 senadores. A criação de uma CPI mista precisa ser autorizada por pelo menos 171 deputados e 27 senadores. A composição está sendo definida pelos partidos, de acordo com a proporcionalidade prevista no Regimento Interno do Congresso. São 15 membros de cada Casa. O PMDB indica o presidente da comissão por ter a maior bancada.

A CPI investigará o envolvimento de agentes públicos e privados com o esquema comandado pelo bicheiro, investigado pelas operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, que resultou em sua prisão. A comissão terá 180 dias para apresentar um relatório sobre o caso.

Demóstenes e Carlinhos Cachoeira

Em 6 de março de 2012, o senador Demóstenes Torres (GO) subiu à tribuna para dar explicações sobre as denúncias de sua proximidade com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, descoberta pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que terminou em fevereiro, com a prisão de Cachoeira e de outras 34 pessoas. Demóstenes disse que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido critérios legais. Dez dias depois, o jornal Folha de S.Paulo publicava um relatório do Ministério Público Federal (MPF) que indicava que o grupo comandado por Cachoeira entregou telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, que admitiu ter recebido o aparelho.

O jornal O Globo noticiou, em 23 de março, gravações da PF que flagraram Demóstenes pedindo para Cachoeira lhe pagar R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo e vazando informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes. Em 27 de março, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado para "acompanhar a evolução dos fatos". No dia seguinte, o Psol entrou com representação contra o parlamentar no Conselho de Ética do Senado e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandovski autorizou a quebra do sigilo bancário de Demóstenes, solicitando ainda um levantamento sobre as emendas e os projetos relatados por ele para saber se Cachoeira, acusado de controlar a máfia dos caça-níqueis e de corromper policiais e políticos em Goiás, foi beneficiado.

Nas gravações, Demóstenes também aparece acertando um suposto lobby pela legalização dos jogos de azar no Congresso em 2009. Em outra conversa, Cachoeira pede ajuda no processo de um delegado e três policiais de Anápolis (GO) acusados de tortura e extorsão. Os dois ainda conversaram sobre um "negócio" milionário na Infraero. Na ocasião, Demóstenes teria se valido da relatoria da CPI do Apagão Aéreo para levantar informações e sondar contratos de informática na estatal.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido decidiu abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda.