Agnelo determina investigação contra ex-chefe de gabinete 

Após escutas revelarem seu suposto envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira, Cláudio Monteiro, o ex-chefe de gabinete do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), terá sua atuação investigada pela Secretaria de Transparência e Controle. O pedido, feito pelo governador, foi publicado no Diário Oficial desta segunda-feira.

As escutas apontam que os promotores Wilton Queiroz de Lima e Libânio Alves Rodrigues teriam passado informações confidenciais ao governo distrital, por intermédio do ex-assessor. Cláudio Monteiro nega envolvimento com o grupo de Cachoeira e disse que pretende processar a PF e as pessoas que o citaram nas gravações.

Três pessoas ligadas ao governo do Distrito Federal já foram exoneradas por terem os nomes citados nas escutas telefônicas da Polícia Federal. Além de Cláudio Monteiro e Marcello de Oliveira, João Carlos Feitoza, o Zunga, deixou a Fundação de Amparo ao Preso. Ele seria o contato entre o governador Agnelo e o bicheiro Carlos Cachoeira.

Demóstenes e Carlinhos Cachoeira

Em 6 de março de 2012, o senador Demóstenes Torres (GO) subiu à tribuna para dar explicações sobre as denúncias de sua proximidade com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, descoberta pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que terminou em fevereiro, com a prisão de Cachoeira e de outras 34 pessoas. Demóstenes disse que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido critérios legais. Dez dias depois, o jornal Folha de S.Paulo publicava um relatório do Ministério Público Federal (MPF) que indicava que o grupo comandado por Cachoeira entregou telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, que admitiu ter recebido o aparelho.

O jornal O Globo noticiou, em 23 de março, gravações da PF que flagraram Demóstenes pedindo para Cachoeira lhe pagar R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo e vazando informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes. Em 27 de março, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado para "acompanhar a evolução dos fatos". No dia seguinte, o Psol entrou com representação contra o parlamentar no Conselho de Ética do Senado e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandovski autorizou a quebra do sigilo bancário de Demóstenes, solicitando ainda um levantamento sobre as emendas e os projetos relatados por ele para saber se Cachoeira, acusado de controlar a máfia dos caça-níqueis e de corromper policiais e políticos em Goiás, foi beneficiado.

Nas gravações, Demóstenes também aparece acertando um suposto lobby pela legalização dos jogos de azar no Congresso em 2009. Em outra conversa, Cachoeira pede ajuda no processo de um delegado e três policiais de Anápolis (GO) acusados de tortura e extorsão. Os dois ainda conversaram sobre um "negócio" milionário na Infraero. Na ocasião, Demóstenes teria se valido da relatoria da CPI do Apagão Aéreo para levantar informações e sondar contratos de informática na estatal.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido decidiu abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda.