Composição da CPI do Cachoeira reflete resultado nas urnas, diz líder do PT 

O líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP), disse hoje (13) que a composição da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar a relação de políticos, agentes públicos e privados com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi definida pelas urnas.

“A oposição é minoria no Congresso porque o povo quis. Ela não ganhou a eleição no Brasil porque o povo preferiu o Lula [ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva] e a [presidenta] Dilma [Rousseff]. Eles querem ganhar no tapetão”, ironizou Tatto. O petista lembrou que os partidos da base aliada já concordaram em formar a comissão, que está sendo chamada de CPMI do Cachoeira, com 15 membros, em vez de 11, para abrir mais espaço para as oposições.

Tatto acrescentou que o regimento das duas Casas do Congresso são claros em relação à proporcionalidade dos membros nas comissão e essa regra será respeitada. Para o petista, aumentar ainda mais o número de membros da CPMI, de 15 para 17, como quer o PSOL, irá dificultar os trabalhos. “Não acho razoável fazer uma CPI com muitos membros porque acaba inviabilizando os trabalhos. Dificulta o quórum”, ponderou.

Contrariando reivindicação do PSDB e do DEM, o líder do PT reiterou hoje que os cargos de comando da CPMI do Cachoeira devem ser ocupados por parlamentares do PT e do PMDB por terem as maiores bancadas na Câmara e no senado, respectivamente. “Caminha para isso. Ainda não fechamos, mas tudo indica que será isso mesmo a presidência com o PMDB do Senado e a relatoria com o PT da Câmara.”

Para entender o caso:

Objetivo da CPMI - A chamada CPMI do Cachoeira investigará denúncias da atuação da máfia dos jogos ilegais no Brasil e o envolvimento de políticos e empresários. Vários nomes vieram à tona, por meio do vazamento de gravações telefônicas feitas com autorização judicial por policiais federais, como o do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), de assessores dos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e de Goiás, Marconi Perillo, além de cinco deputados federais.

Motivo da atuação conjunta da comissão - Investigações da Polícia Federal (PF), por meio das operações Vegas e Monte Carlo sobre jogos de azar, indicam o envolvimento de agentes públicos e privados com o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Há suspeitas de que empresários e políticos receberam dinheiro de Cachoeira para promover tráfico de influência a fim de, entre outras ações, aprovar propostas, no Congresso, que beneficiasse o setor.