ONGs repudiam declaração de Dilma sobre tortura em delegacias 

Várias ONGs em defesa dos direitos humanos lançaram em conjunto uma nota de repúdio à declaração da presidente Dilma Rousseff durante palestra na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, quando afirmou que "não sei como acontece, não tenho como impedir que nas delegacias do Brasil não haja tortura".

Na terça-feira, durante sessão de perguntas feitas pela plateia, Dilma afirmou que as questões de direitos humanos não podem ser objeto de "luta política", e que o assunto deve ser discutido de forma "multilateral", acrescentando que "do ponto de vista do Brasil, sempre que podemos e temos oportunidade manifestamos o interesse do país em defender os direitos humanos. Agora posso te dizer uma coisa, o Brasil tem grandes desrespeitos aos direitos humanos".

As entidades repudiaram a declaração e afirmaram que esperam, ainda, que a presidência "aclare com rapidez em que medida tal declaração reflete a posição do Estado brasileiro sobre o assunto". Segundo as ONGs, a declaração da presidente, "ela mesma ex-presa política e vítima de tortura, é inadmissível sob qualquer circunstância, mas vem revestida de ainda maior gravidade porque ocorre num momento especialmente sensível. O país enfrenta hoje um debate acalorado sobre o estabelecimento da Comissão da Verdade, que conta com o apoio da presidente, para esclarecer crimes praticados durante a ditadura militar, incluindo o crime de tortura".

As ONGs afirmam que é "muito grave" que a autoridade máxima do País "se declare incapaz para coibir o crime de tortura nas delegacias", e pedem uma declaração explícita da presidente Dilma de que não tolerará a tortura e empenhará todos os esforços para combatê-la.

As organizações que assinam a nota de repúdio são: Associação dos Cristãos para Abolição da Tortura (Acat), Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Centro de Direitos Humanos Dom Oscar Romero (CEDHOR), Conectas Direitos Humanos, Instituto Desenvolvimento e Direitos Humanos (IDDH), Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC), Instituto Vladimir Herzog, Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Justiça Global e Pastoral Carcerária.