MG: professora nega ter obrigado alunos a tirar roupa em aula 

A professora Ana Lúcia Porte Moreira e a monitora de classe Priscila Corrêa Alves negaram em depoimento à polícia que tenham obrigado nove crianças com idades entre sete a 10 anos a tirar a roupa dentro de sala de aula depois do suposto sumiço de R$ 32 na bolsa da monitora. 

O caso aconteceu na Escola Municipal Nossa Senhora Aparecida em São Gonçalo do Sapucaí, sul de Minas Gerais, no final do mês de março.

Além das duas educadoras, a diretora Maria Olímpia Magalhães também compareceu para prestar depoimento ao delegado Wellington Clair de Castro. "Ouvimos as três que disseram que as crianças tiraram a roupa por vontade própria e não foram forçadas a nada. Disseram ainda que foi iniciativa de um aluno de 9 anos", disse o delegado.

As crianças envolvidas foram ouvidas na última semana, acompanhadas dos pais e do Conselho Tutelar e teriam confirmado a acusação ao delegado. "Todas as nove foram ouvidas separadamente e todas falaram que foram obrigadas a tirar a roupa. Os pais também confirmaram que no dia as crianças chegaram em casa contando sobre o ocorrido", afirmou Castro.

"Agora vamos ouvir ainda esta semana mais duas funcionárias que tiveram contato com o local no dia, para saber o que aconteceu. Depois disso vou analisar o que será feito. Tenho 30 dias para concluir o inquérito", concluiu.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação de São Gonçalo do Sapucaí, a monitora Priscila Corrêa Alves era voluntária e pediu desistência do cargo. A professora Ana Lúcia Porte Moreira foi afastada das funções na escola. As duas não foram localizadas para comentar a denúncia.

A diretora Maria Olímpia Magalhães preferiu não se pronunciar. "A polícia já está investigando tudo e prefiro não falar nada, mas a professora continua afastada e duas crianças foram transferidas de escola a pedido dos pais", disse.

O caso foi denunciado pelas mães dos alunos. Uma delas contou que "eles foram obrigados a tirar tudo, meia, sapatos, blusas, cuecas, calcinhas, de meninos e meninas, todo mundo", denunciou, pedindo para não ter o nome divulgado. "Nós ainda fomos ameaçadas de suspensão se contássemos o que tinha acontecido", disse outra mãe, que também não quis se identificar.

A secretária de Educação, Marli de Souza, confirmou o incidente, mas disse que as crianças foram obrigadas as tirar as roupas "apenas parcialmente". "Foram nove alunos que participavam do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) no turno da manhã na escola. A monitora era voluntária e estava no segundo dia de trabalho. Ela era vinculada à secretaria de Assistência Social. Já a professora estava em sala e não tomou qualquer medida. Ela foi omissa", afirmou.