Demóstenes é notificado e deve apresentar defesa em até dez dias 

O Senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) foi notificado na manhã desta quarta-feira a apresentar sua defesa no Conselho de Ética. Demóstenes foi pessoalmente ao Senado e recebeu o documento longe da imprensa, no gabinete da secretária-geral do Senado, Claudia Lyra. O senador tem dez dias úteis para se defender no processo que enfrenta por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética, que pode levar a perda de mandato.

O processo contra o senador foi aberto nesta terça-feira pelo presidente do Conselho de Ética do Senado, Antônio Carlos Valadares (PSB-SE). Valadares acatou o pedido logo após assumir o comando do Conselho. A representação para investigar a suposta sociedade de Demóstenes com o bicheiro Carlos Cachoeira, atualmente preso, foi feita pelo Psol.

O Conselho de Ética decidiu adiar a escolha do relator do processo. Sob a argumentação de "melhor cumprimento" do regimento, Valadares marcou uma nova reunião para amanhã. Segundo ele, será dado um "prazo de dois dias para o conhecimento de todos os parlamentares".

A primeira reunião do Conselho começou com debate em torno da criação de CPI para investigar os negócios do bicheiro Carlos Cachoeira com políticos. "O PSDB anuncia que apoia integralmente uma CPI", disse o líder tucano Álvaro Dias (PR), ressaltando que os trabalhos do Conselho de Ética não excluem uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Demóstenes e Carlinhos Cachoeira

Em 6 de março de 2012, o senador Demóstenes Torres (GO) subiu à tribuna para dar explicações sobre as denúncias de sua proximidade com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, descoberta pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que terminou em fevereiro, com a prisão de Cachoeira e de outras 34 pessoas. Demóstenes disse que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido critérios legais. Dez dias depois, o jornal Folha de S.Paulo publicava um relatório do Ministério Público Federal (MPF) que indicava que o grupo comandado por Cachoeira entregou telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, que admitiu ter recebido o aparelho.

O jornal O Globo noticiou, em 23 de março, gravações da PF que flagraram Demóstenes pedindo para Cachoeira lhe pagar R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo e vazando informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes. Em 27 de março, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado para "acompanhar a evolução dos fatos". No dia seguinte, o Psol entrou com representação contra o parlamentar no Conselho de Ética do Senado e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandovski autorizou a quebra do sigilo bancário de Demóstenes, solicitando ainda um levantamento sobre as emendas e os projetos relatados por ele para saber se Cachoeira, acusado de controlar a máfia dos caça-níqueis e de corromper policiais e políticos em Goiás, foi beneficiado.

Nas gravações, Demóstenes também aparece acertando um suposto lobby pela legalização dos jogos de azar no Congresso em 2009. Em outra conversa, Cachoeira pede ajuda no processo de um delegado e três policiais de Anápolis (GO) acusados de tortura e extorsão. Os dois ainda conversaram sobre um "negócio" milionário na Infraero. Na ocasião, Demóstenes teria se valido da relatoria da CPI do Apagão Aéreo para levantar informações e sondar contratos de informática na estatal.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido decidiu abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda.