Proposta de reforma política volta a ser discutida na Câmara

A Comissão Especial da Reforma Política prossegue nesta quarta-feira (11) a discussão do relatório elaborado pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS), cujo principal eixo é o financiamento público exclusivo de campanha. A reunião será realizada às 14h30, no Plenário 14.

No último dia 28, um embate político paralisou a reunião da comissão. Avesso à proposta, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tentou obstruir a reunião e foi duramente criticado pelo relator, que acusou o colega de estar fazendo chantagem para impor sua vontade. “Não posso aceitar a chantagem, que ele [Cunha] chegue e diga que se eu não aceitar a votação como ele quer, não haverá votação”, disse Fontana.

A declaração de Fontana foi uma reação à proposta de Cunha para que o relatório fosse votado por artigo ou por tema, e não integralmente, ressalvados os destaques, como defendeu o relator.

Segundo o deputado do Rio Grande do Sul, a postura de Cunha explicita uma disputa histórica entre quem defende mudanças e quem prefere manter o sistema político atual.

“Não temos um impasse estratosférico [na comissão], mas uma disputa histórica que dura décadas. Tem gente que defende a política com financiamento privado e campanhas caras, e o Eduardo Cunha é um desses, que fará tudo para impedir a reforma política”, afirmou Fontana.

Cunha, por sua vez, acusou o relator de tentar dar “um golpe” aprovando um texto que não reflete a opinião dos deputados. “Gastei várias horas em reuniões com Henrique Fontana, que é muito educado, muito gentil, mas todos os parlamentares dizem que ele não acata sugestão de ninguém”, acusou Cunha.

“Não tenho do que me beneficiar [de financiamento privado]. Propus a ele duas medidas concretas: que votássemos ponto a ponto ou artigo por artigo. O problema é que Fontana quer votar a reforma dele do jeito dele, isso é golpe e ele não vai conseguir”, acrescentou.