'Houve uma sucessão de erros', diz promotor sobre morte no Hopi Hari

O promotor criminal Rogério Sanches avaliou que várias pessoas podem ter contribuído para o acidente no brinquedo Torre Eiffel, do Hopi Hari, em Vinhedo, no dia 24 de fevereiro, que culminou com a morte de Gabriela Nichimura, 14 anos. Após colher o depoimento do vice-presidente do grupo Hopi Hari, Claudio Guimarães, que esteve no Fórum de Vinhedo nesta segunda-feira, Sanches ponderou que a adolescente morreu em função de uma "sucessão de erros".

"O cenário que vejo é que aconteceu uma falha humana", disse o promotor. "Tudo me leva a crer que houve uma sucessão de erros", afirmou. Para o promotor, se houve dolo ou culpa, cabe à Justiça analisar. Segundo ele, tudo leva à constatação de que houve um crime involuntário e, dependendo das provas materiais do Instituto de Criminalística, culposo, que está prescrito no artigo 121 e cuja prisão varia de um a três anos.

O vice-presidente do grupo prestou depoimento das 13h30 às 16h30. Ele não falou com os jornalistas que o esperam do lado de fora da sala de depoimento. Apressado, pediu licença e disse que sua assessoria se pronunciaria depois. Guimarães foi o último a ser ouvido pelo Ministério Público, que acompanha a investigação da Polícia Civil.

Segundo o delegado Alvaro Santucci Noventa Júnior, já foram colhidos cerca de 50 depoimentos, entre testemunhas que falaram mais de uma vez, pessoas que presenciaram o acidente, funcionários do parque, técnicos e operadores do brinquedo. Paralelamente à investigação criminal, corre uma investigação da Promotoria do Direito do Consumidor, do Ministério do Trabalho.

Além da apuração do acidente em si, o MP intercedeu para "transformar o parque em um local mais seguro", conforme já disse a promotora Ana Beatriz Sampaio Silva Vieira.

O delegado Noventa Júnior acredita que no prazo de 10 dias deve encerrar o caso e encaminhar o processo ao MP, que por sua vez deve oferecer denuncia à Justiça. Conforme o delegado, nos próximos dias ele deve receber os laudos do Instituto de Criminalística. Só depois, segundo ele, poderá concluir o inquérito. Noventa Júnior já havia decretado a prorrogação do inquérito por mais 30 dias, prazo que vencerá no dia 24 de abril, quando a morte da garota completa dois meses.

Gabriela Nichimura caiu do brinquedo Torre Eiffel na manhã do dia 24 de fevereiro. Ela estava acompanhada dos pais, tia e prima. Segundo as primeiras investigações, o equipamento apresentava defeito na trava de segurança. Gabriela caiu de uma altura entre 10 m a 30 m.