FLM faz ato em SP para reivindicar agilidade em projetos habitacionais 

São Paulo - A Frente de Luta pela Moradia (FLM) fez hoje (9) uma manifestação em frente à Companhia de Desenvolvimento Habitacional (CDHU), na capital paulista, para reivindicar rapidez no andamento de projetos de habitação. Os manifestantes defendem a continuidade de ações que objetivam a construção de moradias nas zonas leste, sul e central, que, segundo os organizadores do protesto, estão paradas há cerca de dois anos. Uma comissão foi recebida, no final da manhã, por representantes CDHU.

Os manifestantes fizeram ainda uma caminhada pela Rua Boa Vista, local da sede da CDHU. Com canetas em punho, eles denunciavam a morosidade do processo para a construção das moradias. “Se o problema for caneta para assinar, cada família vai doar uma para os governantes”, disse Maria Ferreira, líder do movimento na zona leste.

Segundo o coordenador-geral da FLM, Osmar Borges, o problema tem sido a burocracia interna dos órgãos que não viabilizam os empreendimentos. “Um documento chega a passar um ano para seguir de um setor para outro”, declarou. Ele citou, como exemplo, um terreno que já foi desapropriado e atenderá a 830 famílias do Acampamento Olga Benário, na zona sul de São Paulo. “O projeto já está pronto, mas as obras não começaram”. Atualmente, de acordo com ele, 580 dessas famílias recebem verba de atendimento de R$ 500, de uma parceria entre governo estadual e a prefeitura, enquanto aguardam a construção das unidades.

Laudiceia da Silva é uma das beneficiárias do empreendimento. Ela participa do movimento de luta por moradia há cerca de 14 anos, mas ainda não foi contemplada. Atualmente está desempregada e paga R$ 380 de aluguel para morar com mais cinco pessoas. Ela aguarda o início das obras que irá beneficiar as famílias do Olga Benário.

A CDHU não divulgou nota sobre a reunião, mas os integrantes da FLM disseram que a companhia se comprometeu a resolver as pendências jurídicas do Acampamento Olga Benário em um prazo de dois a três meses. Sobre as unidades habitacionais para 840 famílias da região leste, a CDHU, segundo a FLM, informou durante a reunião que buscará entendimento com a prefeitura de São Paulo, que é responsável pelo cadastro das famílias, para que as unidades disponibilizadas pelo governo do estado sejam também destinadas aos membros do movimento.

Após a reunião com os representantes do governo paulista, que terminou por volta das 14h30, os manifestantes seguiram para a sede da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab). Com a administração municipal, os líderes do movimento pretendem discutir a prorrogação da verba de atendimento, que termina em abril, para as famílias já cadastradas, mas que ainda não foram contempladas.