Conselho de Ética do Senado será preenchido para análise do caso Demóstenes

Brasília - O PMDB irá indicar amanhã (9) o novo presidente do Conselho de Ética do Senado. A indicação virá acompanhada da decisão sobre o acatamento ou não da denúncia contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) por quebra de decoro parlamentar. Se o novo presidente do conselho decidir acatar a representação, um processo de investigação será aberto contra o senador.

Demóstenes Torres deve ser investigado por seu envolvimento com Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, suspeito de comandar o jogo ilegal em Goiás  e por se utilizar da condição de senador para favorecer o bicheiro. O assunto deve ser discutido com os outros membros do conselho na terça-feira (10).

A representação com pedido de abertura de processo contra Torres foi apresentada pelo PSOL em março, mas cabe ao presidente do órgão a decisão unilateral de acatar ou não o pedido. Como o Conselho de Ética vinha sendo presidido interinamente pelo senador Jayme Campos (DEM-TO), até então colega de partido de Demóstenes Torres, um nova eleição foi requisitada por ele, que se considerou impedido de decidir sobre o assunto.

Apesar de a indicação do presidente do Conselho de Ética caber ao PMDB por ser o partido com maior bancada no Senado, o PT sugeriu o nome do senador Wellington Dias (PT-PI). O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL) ainda não decidiu se irá acatar a sugestão e divulgou apenas que tem ligado para alguns companheiros de partido oferecendo o cargo. No entanto, a decisão ainda não havia sido tomada até o início do feriado de Páscoa.

Antes mesmo de responder a qualquer processo por quebra de decoro parlamentar, no entanto, o senador já sofreu uma forte derrota na última semana. Pressionado pelo partido, que ameaçou abrir processo de expulsão contra ele, Torres decidiu deixar o DEM e segue, agora, sem legenda e sem apoio no Senado.

Após semanas de reclusão, se reunindo apenas com com advogados e evitando contato com a imprensa, Demóstenes Torres se pronunciou neste fim de semana. Publicou no blog que mantém na internet um artigo n qual se limita a criticar o pacote de incentivos à indústria anunciado pelo governo. Com o título Um Brasil Maior para os Pequenos, o senador reclama que o pacote de bondades não atinge micro e pequenos empresários. “São esses os que clamam no deserto da falta de financiamento, da ausência absoluta de condições de giro."

O senador, no entanto, não faz nenhum comentário sobre a própria situação, nem sobre as relações que tem com Carlinhos Cachoeira. A expectativa, no entanto, é que Demóstenes Torres quebre o silêncio sobre os próprios problemas esta semana, quando sair a decisão do Conselho de Ética sobre a abertura do processo porr quebra de decoro. Pelo menos, é que esperam os senadores.

Carlinhos Cachoeira está preso desde que foi deflagrada a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. A investigação também descobriu o envolvimento de cinco deputados, quatro Goiás, flagrados em conversas telefônicas suspeitas com o bicheiro.