ONU: Subsecretária-geral estuda ações do Brasil em resposta a desastres naturais

No Brasil pela primeira vez, a subsecretária-geral das Nações Unidas (ONU) e chefe do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Valerie Amos, tem se reunido com ministros, governantes e ONGs para estreitar as relações entre o Brasil e a ONU em temas humanitários. Em uma coletiva no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, ela expressou seu interesse nas ações de resposta a desastres naturais e ajuda humanitária em outros países, a exemplo do auxílio dado no Haiti e em outros países da África.

Em reuniões com o governo estadual do Rio de Janeiro, com os ministros das Relações Exteriores, da Defesa e da Integração Nacional, ONGs e empresas privadas, Valerie pretende entender como o intercâmbio de experiências entre a sociedade civil, o setor privado e as ONGs pode contribuir em prover conhecimento para futuras ações.

“Estou particularmente interessada em como o Brasil pode compartilhar sua vasta experiência em reposta a desastres naturais e em temas como distribuição alimentar, a exemplo de sua ajuda no Haiti”, diz.

Perguntada sobre como vê a estrutura brasileira para reagir e prevenir desastres naturais, Amos avalia que o Brasil tem trabalhado muito para se conectar com outros países com o objetivo de aprender com suas experiências, além de compartilhar sua bagagem adquirida sobre o assunto.

“Tenho um interesse particular em duas áreas: quando o Brasil responde a desastres em áreas urbanas, especialmente a inundações, e como o país trabalha com seus mecanismos em níveis nacional, estadual e municipal, como o enlace é feito para responder a estes eventos”, explica.

Gerard Gomez, chefe do Escritório Regional para América Latina e Caribe do OCHA, também deu seu parecer sobre a atuação brasileira no tema. Segundo ele, o país, que tem em média 75% da população em áreas urbanas, precisa se preparar para responder em emergências geradas por mudanças climáticas, e está se esforçando para isso. Outro tema levantado é o interesse pelo gerenciamento de informações durante emergências.

Gomez comentou sobre a proposta de um website desenvolvido por uma equipe brasileira que ajuda os países a pedirem exatamente o que precisam em momentos de crise.

“Esta ponte entre o que é necessário e o que é recebido é extremamente importante quando se fala de ajuda humanitária internacional. O Brasil também tem trabalhado bastante para envolver os beneficiários em algumas discussões temáticas em ajuda humanitária. Esse movimento incorpora as necessidades específicas de quem necessita. Isso pode ajudar a melhorar a forma como o mecanismo internacional responde. Não apenas dá o que acha que o outro precisa, mas fica sabendo exatamente quais são as necessidades”, comenta Gomez.