Comissão do Senado rejeita visita de Jérôme Valcke: "Não aceitamos porteiro"

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado rejeitou nesta terça-feira a presença do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, que representaria o órgão em audiência pública no dia 11 de abril sobre os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e a aprovação da Lei Geral da Copa.

Após acordo com os demais integrantes, o presidente da comissão, senador Roberto Requião (PMDB-PR) cancelou o encontro porque não aceita a substituição do presidente da Fifa, Joseph Blatter, pelo secretário-geral. 

"Não aceitamos o porteiro da Fifa. O requerimento aprovado foi para receber o Blatter, não esse bedel da Fifa. Se depender de mim, ele receberá um pontapé em suas redondas abundâncias", disse o senador.

Nesta segunda, a Fifa anunciou que Valcke substituiria Blatter no evento. A viagem de Valcke ao Brasil seria a primeira depois da polêmica declaração do secretário, que disse que os organizadores do Mundial do Brasil precisavam levar um "chute no traseiro" para agilizarem o processo. 

Entenda a polêmica

Em entrevista concedida na sexta-feira (02/03), o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse que os organizadores do Mundial de 2014 precisavam de um "pontapé na bunda" para as obras da Copa do Mundo andarem no País, e afirmou que os preparativos brasileiros estão em "estado crítico".

As palavras não foram bem recebidas pelo governo brasileiro, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou no sábado (03/03) que não quer mais Valcke como interlocutor da Fifa para os assuntos relacionados à Copa de 2014. "As declarações são inaceitáveis, inadequadas para o governo brasileiro", disse Rebelo.

Não é de hoje que Valcke enfrenta rusgas com as autoridades brasileiras. Em comunicado publicado no site da Fifa, o secretário pediu rapidez com a aprovação da Lei Geral da Copa: "o texto deveria ter sido aprovado em 2007 e já estamos em 2012", declarou.

No meio do fogo cruzado, o presidente do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Teixeira, manteve discurso neutro e apenas ressaltou que tudo sairá como o planejado. "Em todo processo democrático as discussões devem ser amplas e sempre levar em conta os interesses do povo", disse Teixeira na nota.

Na segunda-feira (05/03), Aldo Rebelo enviou à Suíça uma carta solicitando um novo interlocutor entre o governo brasileiro e a entidade máxima do futebol mundial. De acordo com o ministro do Esporte, "a forma e o conteúdo das declarações escapam aos padrões aceitáveis de convivência harmônica entre um país soberano como o Brasil e uma organização internacional centenária como a Fifa".

No mesmo dia, Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados, também atacou as palavras de Valcke, chamando o secretário-geral da Fifa de "deselegante". "Foi uma declaração que merece na verdade é que a gente dê um chute daqui para lá de volta e que se repudie qualquer declaração desse nível", opinou Maia.

Posteriormente, Valcke publicou carta em que se desculpava pelo incidente que classificou como um mal entendido. Segundo o dirigente da Fifa, o que houve não passou de um erro de tradução, e o Brasil segue seguro como "única opção para sediar a Copa do Mundo".

Aldo Rebelo aceitou o pedido de desculpas, mas disse que "este tipo de episódio não pode se repetir". Ficou ainda acertada uma renião de Blatter com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, ocorrida na sexta-feira dia 16 de março. Nela, as diferenças foram discutidas e o mandatário da Fifa pediu tempo para resolver o problema Valcke.

Com Portal Terra