Brasil é cobrado por 81 sequestros de crianças no exterior 

O aumento das queixas de pais brasileiros que tiveram filhos tirados do convívio para entrega a cônjuges estrangeiros pode levar o governo a propor mudanças na Convenção de Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças. Desde que o Brasil aderiu ao tratado, em 2000, mais de cem casos tramitaram na Justiça brasileira, quase sempre com desfecho traumático, por falta de medidas que assegurem direitos e amenizem o sofrimento da parte perdedora. 

As falhas do modelo foram expostas mais uma vez esta semana com o caso da paulista Eliana Rodrigues. Além de perder a guarda da filha para o ex-marido alemão, em um processo apressado que durou apenas 40 dias, ela ficou impedida de visitá-la, porque tem ordem de prisão se colocar os pés na Alemanha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Criada para atender às demandas da convenção, a Autoridade Central Federal cuida hoje de mais 81 processos, que tramitam em segredo de Justiça, em que estrangeiros pedem a repatriação de crianças trazidas ao país pelo cônjuge separado. Os países com maior número de solicitações de cooperação ao Brasil para levar crianças de volta são Portugal, Itália e Estados Unidos, segundo levantamento da Advocacia-Geral da União (AGU). Do total de casos solucionados, 50 implicaram restituição das crianças aos pais estrangeiros. 

Na via inversa, foram trazidas quase 30 menores levados ilegalmente para fora do Brasil. Os demais casos tiveram solução consensual e o litígio foi extinto. Dezenas de outros processos movidos por brasileiros tramitam na Justiça de outros países.