Motorista é condenado a 10 anos de reclusão por crime doloso 

Réu dirigia a 165 km/h e matou advogado 

O Tribunal do Júri de Brasília condenou, na madrugada desta quinta-feira, a 10 anos de reclusão, em regime inicial fechado, e a 83 dias-multa um motorista julgado por homicídio doloso (por ter assumido o risco de matar). O réu  Rodolpho Félix Grande Ladeira — provocou a morte do advogado Francisco Augusto Nora Teixeira, ao colidir com o seu carro, numa madrugada de janeiro de 2004, na Ponte JK, que liga o Lago Sul ao centro de Brasília, dirigindo a 165 km/h.

Conforme a denúncia do Ministério Público, a Mercedez-Benz/C230, em “velocidade incompatível com o local, alcançando 165 KM/h”, bateu na parte posterior direita do VW/Santana que trafegava à sua frente, conduzido por Francisco Augusto Nora Teixeira, “provocando neste os ferimentos (que foram) causa eficiente de sua morte”.

Risco assumido

Assim, “ao conduzir o veículo da forma como foi descrita, imprimindo velocidade de 165 km/h, quando a velocidade máxima permitida na via era de 70 km/h, o denunciado assumiu o risco da ocorrência do resultado, bem como expôs ao perigo comum as pessoas que ali trafegavam”.

Durante a instrução processual, várias testemunhas reiteraram que o veículo trafegava em alta velocidade e algumas afirmaram que teriam notado a presença de um outro carro, um Gol, que, aparentemente, fazia um “pega” ou “racha”, com o veículo dirigido pelo réu.

Ao ser interrogado durante o julgamento se estaria participando de um “racha” quando ocorreu o acidente, Rodolpho respondeu que “de forma alguma”, e acrescentou que não sabe precisar em que velocidade estava, mas que “poderia ser” algo em torno de 120 km/h, e não de mais de 160 km/h, conforme o laudo oficial. Emocionou-se ao falar dos filhos e dos problemas pessoais pelos quais estaria passando na época, aos 21 anos.

De acordo com o processo, “antes do evento (o réu) teve outros envolvimentos com o mesmo modus operandi, ou seja, colisão com veículos por excesso de velocidade e, após o evento, também se envolveu em outro acidente automobilístico”.

Do julgamento pelo Tribunal do Júri ainda cabe recurso ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal.