Ex-ministro diz que Fórum deve incentivar crescimento da cultura 

Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura (2008 - 2010) no governo Lula, vai dar o pontapé inicial no Fórum Internacional de Gestão Cultural no próximo dia 21 de março, em São Paulo. O evento, fruto de parceria entre o Centro de Estudos Latino-Americanos (Celacc) - núcleo de pesquisas da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP - e a Livraria Cultura, se estenderá até o dia 23 de março, na unidade do Conjunto Nacional.

Em entrevista, Ferreira disse que o principal objetivo do evento é pensar em formas de incentivar o crescimento e a democratização da cultura no País. Confira abaixo a entrevista na íntegra:

Qual a importância do Fórum Internacional de Gestão de Cultura, que o senhor abrirá no dia 21 de março, nos tempos de internet? 

A cultura deveria ser encarada como um vetor importante no desenvolvimento da sociedade e isso não acontece e não é um problema apenas do Brasil. A principal importância do fórum é abrir espaço para a reflexão dessa questão. Para pensarmos juntos em uma forma de mudar a situação e incentivar o crescimento do País também culturalmente e não pensar somente no desenvolvimento financeiro.

Quais os principais mecanismos além do mercado para produzir cultura? 

O Estado é muito importante nesse processo de produção de cultura. Todos os poderes públicos, mas preponderantemente o poder executivo, devem pensar em ampliar o acesso à cultura, deve ser uma meta de governo, de atuação. Atualmente, apenas 5% das pessoas vão a museus, 13% frequentam os cinemas do País e 17% leem livros.

Como os agentes podem se organizar para não depender do mercado? 

Não vejo a dependência do mercado como algo negativo, pelo contrário. O mercado pode ser saudável e a relação com ele pode trazer ainda mais benefícios. É preciso que haja, para isso, um compartilhamento. O mercado é responsável por distribuir ingressos, por exemplo, e isso não pode ser deixado de lado quando pensamos em democratizar cada vez mais a cultura.

Qual o papel do governo federal neste contexto? 

Em primeiro lugar, o papel do governo federal é incluir o desenvolvimento cultural no seu plano de administração e com prioridade. O grande erro é achar que basta o País se desenvolver financeiramente, internacionalmente, e não dar a atenção devida ao direito que a população tem de acesso à cultura. Este direito precisa ser garantido.