Novo ministro da Pesca pede a Deus que o qualifique para o cargo 

Ao tomar posse nesta sexta-feira, o novo ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella (PRB), admitiu não ter experiência para ocupar o novo cargo na administração pública federal, mas, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, fez uma prece para que Deus o "qualifique" para o posto. Em seu discurso, pediu também a Deus que não ocorram mais irregularidades em ministérios. Antes de ser empossado, Crivella chegou a afirmar que sequer sabia "colocar uma minhoca no anzol".

"Não quero que a presidente fique triste de ter um ministro da Pesca e da Aquicultura que não (...) é bom de colocar minhoca no anzol. Mas colocar minhoca no anzol a gente aprende rápido. Pensar nos outros é que é um pouco mais difícil. Queria, presidente, dizer que aprendi uma coisa: que muitas vezes Deus não chama os mais qualificados, não escolhe os mais qualificados, mas sempre Deus qualifica os escolhidos", disse ele.

"Peço a Deus que dê sabedoria e discernimento (...) para que não continue ocorrendo nos nossos ministérios qualquer deslize desses que desanimam o povo e fazem um cidadão de bem sentir vergonha de ser brasileiro", completou Crivella.

O ministro recém-empossado é engenheiro civil e sobrinho de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Em seu discurso de posse, citou o que classificou como "lição que sintetiza com simplicidade um bom conselho" de Macedo: "quem pensa nos outros pensa como Deus".

À frente da pasta, o novo ministro se comprometeu a "devotar de corpo e alma para que o Brasil possua na pesca a mesma grandeza que possui na agricultura, respeitada mundialmente".

O novo auxiliar da presidente relembrou ainda, ao tomar posse, do ex-vice-presidente da República José Alencar, presidente de honra do PRB morto em 2011, e elogiou a trajetória política de Dilma Rousseff. Ao recordar os "porões escuros da tortura" por que passou Dilma quando presa no regime militar, Marcelo Crivella afirmou que os militares não sabiam, mas "estavam apenas compondo a moldura de ouro da personalidade histórica" da atual estadista.

Eleito senador pelo Rio de Janeiro, o novo ministro também fez um apelo para a manutenção da atual regra de partilha de royalties do petróleo, em debate no Congresso e, com a descoberta do pré-sal, sob o risco de terminar no Supremo Tribunal Federal (STF). "Vossa Excelência se engrandece e avulta mostrando à nação que, fora da lei, não há salvação", resumiu.