Danificada pela chuva, escola em Minas faz revezamento de alunos

As aulas do ensino fundamental e médio na Escola Municipal Vereador Benedito Batista no bairro Xangrilá, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, estão sendo dadas com o revezamento dia sim, dia não, devido a problemas causados por um temporal. Segundo o vice-diretor, Gleison Costa, esta foi a única forma que os diretores e professores do colégio encontraram para suprir a falta de salas de aula que foram danificadas por uma forte chuva ocorrida em 29 de dezembro do ano passado. Das 17 salas de aula, 7 foram interditadas.

"O rodizio na escola começou em função da falta de salas de aulas disponíveis para toda a demanda de alunos que temos na escola. Porque a gente não tem salas suficientes para receber 800 alunos nesta escola. O telhado foi arrancado de sete salas de aulas, a parte elétrica foi danificada e a tintura também por causa disso. As salas não tem condições de receber os alunos. Há um cheiro de mofo muito forte e muita água vazando em sala", disse.

"Até hoje temos entulho, ferros distorcidos e os entulhos, além de acumular água e trazer doenças, tem menino que pega e joga nos outros, que pode se machucar", contou. "Temos dois turnos. De manhã, os meninos menores do primeiro ciclo vêm, por exemplo, na segunda-feira e na terça os vêm os meninos de terceiro ciclo. A mesma coisa à tarde, primeiro ciclo em um dia e o segundo e terceiro ciclo no outro dia. E assim a gente vai fazendo esse revezamento".

"A prefeitura retirou parte dos entulhos e colocou a lona no teto, mas não resolveu. Continua vazando água na sala de aula. Hoje que estão chegando as telhas. Depois tem a tintura e parte elétrica para ter condições adequadas para atender os alunos e funcionários. Enquanto isso a gente se vira do jeito que pode, em função dessa situação que a prefeitura não conseguiu resolver", concluiu o vice-diretor.

Costa disse que mesmo com o problema os professores são obrigados a cumprir a carga horária: "Os funcionários todos estão vindo mesmo. A reclamação maior é por parte dos pais. Eles estão preocupados em saber se os dias letivos estão sendo cumpridos. Serão cumpridos sim", disse.

A prefeitura de Contagem informou aos pais e professores que contratou uma empresa para reformar a escola. Um anúncio afixado no local garantia que até o dia 21 de fevereiro a escola estaria funcionando normalmente. No dia 24 de fevereiro o problema persistia. Nesta quarta-feira uma funcionária informou que somente a partir de amanhã, 1 de março, as aulas voltarão ao normal.

Rotina alterada

Enquanto as aulas são dadas em sistema de rodízio, pais e estudantes fazem um esforço para minimizar os prejuízos. O estudante Ariel Lelis Araújo, 14 anos, por exemplo, reveza com o irmão: "Não tem sala para estudar, ai tem que fazer rodízio mesmo. Só faltei dois dias porque meu irmão veio pra aula. Quando eu não venho meu irmão vem. Eu fico dormindo, assistindo televisão em casa. Prejudica muito meu estudo", disse.

"Estamos no terceiro ano e nos preparando para o Enem. Ficamos uma semana sem aula e consequentemente vamos ter que repor isso depois. E acaba não repondo da mesma forma que teria a aula normalmente e isso prejudica nossos estudos. Não tem nem como começar a estudar em casa, porque não tinha nem matéria para ser vista", completou a aluna Carolina Gomez de Alcantara, 16 anos.

A aposentada Alexandra Siqueira Martins, 38 anos, disse que a filha tem ficado até três dias da semana em casa por causa do problema: "Minha filha está na oitava séria e infelizmente está participando no esquema de rodízio por falta das telhas que caíram por causa da chuva. E isso está prejudicando muito os estudos. O trabalho na escola é bem feito com ótimos diretores e professores, mas a única coisa que falta é a escola ficar completa. Minha filha vem um dia e fica fora dois dias. Ela fica doida pra vir à escola, porque se não ela vai ficar atrasada e a gente não quer isso. Ela vai duas vezes por semana na aula. Agora tem pouca matéria, mas mesmo assim ela vai lendo um livro, se virando como pode".