Campuseiro reclama de acessibilidade mas produção é elogiada 

A acessibilidade na Campus Party Brasil é um desafio para pessoas com necessidades especiais neste ano. Essa é a avaliação do técnico de software Flávio Tamura, 33 anos, que participa do evento pela primeira vez e é cadeirante. "Falta a organização pensar um pouco mais nisso", disse. Mas outros campuseiros com deficiências elogiam a produção.

A principal crítica de Tamura é em relação à irregularidade do piso do Anhembi Parque, onde ocorre o evento. "Tem muitas tampas soltas, buracos no chão. A estrutura por onde passam os fios é muito alta e dificulta o acesso", afirmou.

Atendimento 

Já programador João Felipe Gomes Santiago, 20 anos, que tem uma deficiência de mobilidade e se locomove com a ajuda de um andador, afirmou que consegue se movimentar sozinho pelo evento e fez elogios à disponibilidade e boa vontade da produção. "Sempre tem alguém da produção para me ajudar", disse, citando, inclusive, o nome de uma das pessoas da equipe, o voluntário Henrique Palma, 26 anos, que o auxiliou a chegar à sua bancada no primeiro dia de evento.

O voluntário, inspirado em casos como o de João Felipe, organizou um debate sobre acessibilidade no palco Barcamp, espaço reservado para que campuseiros promovam discussões e palestras. Juntamente com o voluntário Uéllington Damázio de Oliveira, o debate "Inclusão Digital para Deficientes Físicos" envolveu até mesmo o diretor da Campus Party, Mario Teza, e o diretor da Linux International, Jon "Maddog" Hall.

O estudante Lucas Gil Nadolskis, 17 anos, é cego e participa pela primeira vez do evento. Segundo ele, no primeiro dia a fila preferencial para pessoas com deficiência não funcionou, mas durante a semana o atendimento melhorou. "Tem várias pessoas sempre ajudando, desde a organização até outros campuseiros", afirma.

Segundo ele, as irregularidades do piso não chegam a atrapalhar. "Eu estou sempre de bengala, então consigo identificar os obstáculos", diz. "O evento em geral está bom. Não é uma Reatech (Feira Internacional de Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, evento de tecnologia voltado para pessoas com deficiência), que é toda adptada, mas está bom", afirma.

Banheiros

Outro problema apontado por Tamura são os banheiros. "A entrada do banheiro da Arena tem uma rampa muito íngreme. Eu até consigo subir, mas uma pessoa com uma mobilidade menor, talvez não", afirma. Ele diz também que o banheiro para deficientes muitas vezes não é respeitado. "Já encontrei o banheiro de deficientes cheio de sacos de lixo e panos em cima da pia", diz.

Na zona Expo, que é aberta ao público, ele aponta também o banheiro como problema. "Só tem um banheiro para deficientes, e ele é junto com o feminino. É constrangedor. Sempre que eu entro tenho que pedir desculpas e explicar para elas que é o único", afirma.

Em nota, a organização do evento afirmou que "vem, a cada ano, implementando melhorias na infraestrutura para garantir a melhor experiência possível aos participantes do evento. A organização projetou as diferentes áreas para que os campuseiros e visitantes tenham facilidade de orientação e locomoção".

"Em todos os acessos às zonas Expo, Arena e camping há total acessibilidade para campuseiros e visitantes portadores de necessidades especiais, como rampas e lombadas sobre os fios, sinalização de alterações realizadas no piso, bem como maior espaço entre as mesas e cadeiras localizadas próximas aos palcos. A produção da Campus Party disponibilizou banheiros especiais com assentos e acessos adequados, com toda infraestrutura necessária para uso e higiene dos campuseiros e visitantes com dificuldade de locomoção", diz o comunicado da Campus Party.

Leia na íntegra a nota da Campus Party:

A Campus Party Brasil 2012 vem, a cada ano, implementando melhorias na infraestrutura para garantir a melhor experiência possível aos participantes do evento. A organização projetou as diferentes áreas para que os campuseiros e visitantes tenham facilidade de orientação e locomoção.

Em todos os acessos às zonas Expo, Arena e camping há total acessibilidade para campuseiros e visitantes portadores de necessidades especiais, como rampas e lombadas sobre os fios, sinalização de alterações realizadas no piso, bem como maior espaço entre as mesas e cadeiras localizadas próximas aos palcos. A produção da Campus Party disponibilizou banheiros especiais com assentos e acessos adequados, com toda infraestrutura necessária para uso e higiene dos campuseiros e visitantes com dificuldade de locomoção.

Na Campus Party Brasil 2012, todos os palcos da Arena possuem rampas de acordo com a ABNT, norma também implementada nos estandes localizados na Zona Expo. A organização orientou todos os expositores com relação à infraestrutura e acessibilidade. Eventuais incorreções nas rampas de estandes localizadas na Zona Expo têm sido monitoradas pela organização, que solicita imediatamente ao expositor responsável pela área adequação às normas da ABNT.

A organização agradece a todos os campuseiros e visitantes que comunicam à organização sugestões de melhorias, colaborando para o sucesso do evento. A equipe da Campus Party informa que está inteiramente disponível para apoiar e orientar os deficientes que necessitarem auxilio.