Pró-aborto, nova ministra quer respeito a 'direitos reprodutivos' da mulher 

Brasília - Defensora do direito ao aborto, a nova ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, disse nesta sexta-feira, ao tomar posse, que "não se pode aceitar" atualmente que as mulheres ainda tenham "seus direitos reprodutivos e sexuais desatendidos e desrespeitados". A sucessora da ministra Iriny Lopes, que deixa o governo para disputar a prefeitura de Vitória (ES), afirmou, no entanto, que ao assumir o primeiro escalão do governo federal, irá responder "com toda lealdade, competência e compromisso em consonância com as metas de nosso governo assumidas".

Na campanha presidencial de 2010, a então candidata Dilma Rousseff se comprometeu a não defender, se eleita, mudanças na legislação que autoriza a interrupção de gravidez, atualmente restrita a casos de estupro e risco de morte da mãe.

"Não se pode aceitar ainda hoje quando temos uma mulher no mais alto cargo do Executivo brasileiro e outras tantas mulheres em condições de decisão que mulheres sejam vistas como meros objetos sexuais, não tenham seus esforços diuturnos por trabalho reconhecidos, que morram durante a gravidez, que continuem sem realizar exames preventivos e ginecológicos, que os serviços de atendimento a vítimas de violência sexual continuem sem manutenção e (...) que tenham seus direitos reprodutivos e sexuais desatendidos e desrespeitados", disse a nova ministra.

Ex-companheira de cela da presidente Dilma no presídio Tiradentes, que abrigava prisioneiras políticas do regime militar, Eleonora Menicucci relembrou, em seu discurso de posse, dos militantes que morreram nos anos de chumbo e de mulheres que lutaram por direitos iguais e em prol da democracia.

"Nossas trajetórias de mulheres se entrelaçaram quando ainda jovens éramos. Nos engajamos na luta contra a ditadura, fomos presas, torturadas, vivemos na mesma cela. Quero, com muita tristeza e muita emoção, render homenagem a mulheres e homens que tombaram com a luta contra a ditadura", relembrou, citando ainda 'todas as mulheres vítimas da violência domestica e sexual no nosso País".

Em seu discurso, a nova ministra da Secretaria de Política para as Mulheres ainda defendeu melhorias nas políticas de saúde para o sexo feminino e na disputa, em paridade, por mercado de trabalho.