Ex-secretário nacional de Segurança diz que polícia é insubstituível no Carnaval

As greves da PM na Bahia e dos bombeiros e policiais civis e militares do Rio de Janeiro ainda preocupam a população de duas das principais cidades carnavalescas do país. Autoridades dos governos baiano e fluminense afirmam que a segurança do Carnaval, a maior festa do Brasil, está garantida, mesmo que seja necessário reforço das Forças Especiais do Exército, enviadas pelo governo federal. O ex-secretário nacional de Segurança Pública e coronel da reserva da Polícia Militar, José Vicente Filho, acredita, por sua vez, que o Exército não está preparado para atuar nas ruas durante o Carnaval.

"A polícia é insubstituível para o policiamento nas ruas. Todo o suporte que o governo federal pode oferecer serve para evitar a desordem generalizada, como saques e confusões que se alastram com rapidez, mas o Exército não faz policiamento, não é treinado para fazer o varejo da segurança. A polícia é quem exerce essa função. Nada substitui a polícia", explicou o ex-secretário.

Ainda de acordo com José Vicente Filho, a situação da greve policial em dois importantes estados do país é "imprevisível". Mesmo assim, avalia, no Rio de Janeiro, "a paralisação não tem tanta solidez como na Bahia". 

"No Rio, a greve foi decidida por uma minoria de um contingente de mais de 70 mil policiais e bombeiros. A partir de agora, precisamos ver como o governo vai se comportar frente às negociações e se haverá ou não maior adesão do efetivo", pondera.

Para o ex-secretário, o clima de mal-estar na corporação fez com que a greve na Bahia se tornasse mais forte e organizada. "E isso não aconteceu no Rio de Janeiro", explica. "Na greve do Rio, não há, por enquanto, adesão tão forte, e também não há uma liderança clara reconhecida. Não adianta levantar teorias conspiratórias para todos os Estados do Brasil", completa Vicente Filho.

PEC 300

O ex-secretário de Segurança não acredita que a greve na Bahia e no Rio de Janeiro irá pressionar a votação da PEC 300 no Congresso, Emenda Constitucional que estabelece um piso salarial mínimo para policiais militares e civis e bombeiros de todo o Brasil. "A presidente Dilma está jogando todos os seus cacifes políticos para segurar a votação da PEC 300, porque o projeto tem uma série de vícios, e acho que ela irá conseguir".

Segundo Vicente Filho, o aumento da remuneração de alguns dos policiais e bombeiros do País não está condicionado, necessariamente, à melhoria da segurança. "A PEC 300 vai pagar para policiais aposentados que não ajudam mais no policiamento ou a policiais que atuam na parte administrativa da corporação, e não vai contemplar diversos oficiais que atuam na segurança hoje. A PEC não contempla tudo, ela focaliza um detalhe importante, mas Dilma não vai deixar que ela seja votada no susto", finaliza o ex-secretário.