PMs expulsos por greve em 2008 são reintegrados em SC 

Os 18 policiais militares que foram expulsos da corporação após uma greve realizada em 2008 foram reintegrados à corporação nesta quinta-feira em uma pequena cerimônia realizada no Quartel do Comando Geral, em Florianópolis. Na ocasião, o comandante geral da PM, coronel Nazareno Marcineiro, recebeu os anistiados, explicou detalhes do retorno dos militares ao trabalho após três anos de afastamento e pregou a paz na corporação.

O episódio que provocou a expulsão dos praças ocorreu em dezembro de 2008, quando os grevistas ocuparam quartéis durante um movimento reinvindicatório que durou cinco dias. Eles foram anistiados no final de 2011, após intenso debate entre governo e representantes dos praças.

A conversa entre militares anistiados e comando ocorreu sem maior alarde. De acordo com o diretor de Comunicação da PM catarinense, tenente-coronel Fernando da Silva Cajueiro, a conversa formal entre comando e militares serviu para uma "explicação" das condições do retorno ao trabalho. "O objetivo dessa anistia foi pacificar a relação e nos ajudar a construir um caminho de união e paz."

Dos PMs catarinense anistiados, 15 voltarão ao trabalho na ativa e outros dois conquistaram a aposentadoria. Um dos anistiados, Claudir Silvério Schmidt, que chegou a obter o direito de retornar ao trabalho por uma liminar judicial, acabou assassinado ao atender uma ocorrência em maio de 2011.

De acordo com o presidente da Associação dos Praças de Santa Catarina (Aprasc), deputado estadual Amauri Soares (PDT), o retorno dos policiais ao trabalho é um ato histórico. Ele comparou a situação da PM catarinense com os fatos vivenciados pelos militares em greve na Bahia. "Aqui o clima é exatamente o oposto", afirmou. "O problema é que qualquer movimento dos PMs já é criminoso antes de começar, porque é proibido dizer que o salário está ruim e a crítica é considerada uma transgressão disciplinar."